
O teleatendimento tem se mostrado uma ferramenta importante para romper barreiras geográficas e estruturais
Reprodução/Freepik
Com a rotina corrida e a dificuldade de encontrar serviços especializados perto de casa, muitos cuidadores de crianças e adolescentes neurodivergentes enfrentam desafios para manter o acompanhamento terapêutico. Estudos publicados nos últimos anos apontam que esses problemas são frequentes. Um dos maiores levantamentos do país, realizado pelo Profile of Service Use and Barriers to Access among Brazilian Families of Children with Autism Spectrum Disorder (Brain Sciences), com 927 famílias de crianças autistas de diferentes regiões, identificou obstáculos como longas filas de espera, custos elevados, falta de serviços especializados e desigualdade no acesso entre capitais e cidades do interior.
Nesse cenário, o teleatendimento tem se mostrado uma ferramenta importante para romper barreiras geográficas e estruturais, permitindo a continuidade do cuidado para TEA e TDAH. Com foco em cuidadores, familiares e profissionais que acompanham crianças e adolescentes neurodivergentes, o atendimento remoto oferece orientação técnica direta sobre manejo comportamental, organização da rotina, desenvolvimento de habilidades e estratégias práticas, aplicáveis ao cotidiano e que têm apresentado resultados positivos na evolução do desenvolvimento.
“Antes de começar o teleatendimento, orientamos ajustes no ambiente, o uso de recursos e o papel do cuidador e isso garante que a sessão aconteça com qualidade mesmo à distância. O atendimento remoto segue o mesmo padrão clínico dos encontros presenciais, com metas claras e acompanhamento constante. Mesmo à distância, o vínculo entre terapeuta e família continua forte”, afirma Kátia Cossatis, psicóloga e gerente técnica em ABA do Grupo Conduzir, clínica especializada em terapia ABA para neurodivergentes.
A equipe, que conta com supervisores e terapeutas, especialistas em análise do comportamento aplicado, conduzem as sessões com protocolo estruturado, práticas baseadas em evidências e linguagem adaptada ao nível de compreensão de cada família. “As famílias costumam perceber os efeitos rapidamente. O teleatendimento facilita a rotina, reduz deslocamentos e ajuda o cuidador a aplicar as orientações no dia a dia. Isso aumenta a autonomia da criança e melhora a evolução da intervenção dentro de casa”, explica a psicóloga.
Um exemplo disso é o caso de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de 6 anos que apresentava dificuldade para realizar tarefas simples, baixa tolerância a instruções diretas e pouca manutenção de atenção. Sua cuidadora, a mãe, passou a contar com os teleatendimentos e colocar em prática as orientações recebidas no dia a dia. Com o avanço das sessões, tanto a cuidadora quanto a equipe notaram que a criança apresentou aumento do tempo de atenção, maior tolerância às orientações e melhor participação nas atividades. Segundo a equipe, os resultados apareceram de forma progressiva e refletêm um avanço importante no controle instrucional e no engajamento.
Embora o teleatendimento amplie o acesso e seja eficaz para orientação, há situações em que o atendimento presencial é necessário, como casos de comportamento de risco, intervenções que exigem contato direto ou quando a família não dispõe de condições tecnológicas adequadas. Além dos cuidadores, a modalidade também é oferecida diretamente para adolescentes e adultos neurodivergentes, seguindo as regulamentações de teleatendimento terapêutico e aplicando os mesmos protocolos de planejamento individualizado e revisão de metas.
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