
Manifestação na Unicamp
Diego Linardo
Os trabalhadores e alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizaram uma manifestação, na manhã desta terça-feira (12). O protesto luta pelo reajuste salarial de 15,97% e pelo fim da implementação da autarquização da Área da Saúde, além de denunciar os atos de violência contra três universidades públicas paulistas.
Por conta da ação, a Rodovia D. Pedro I (SP-065) registrou congestionamento pela manhã. A manifestação ocorreu na rotatória que dá acesso às universidades e afetou o tráfego de veículos nas marginais do km 137. A lentidão também atingiu o acesso à rotatória que liga a Avenida Adolfo Lutz ao Hospital de Clínicas e a uma das entradas da Unicamp. Motoristas que estavam passando no local registraram imagens que mostram a lentidão no trânsito. [Veja o vídeo]
Greve em três universidades paulistas: trabalhadores e estudantes denunciam violência policial e cobram negociação urgente
Em meio a um cenário de tensão, servidores técnico-administrativos, docentes e estudantes da Unicamp, Unesp, USP unificaram a greve, se posicionando contra a violência policial e o cancelamento da negociação entre manifestantes e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Nesta terça-feira (12), o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, comunicou uma nova reunião entre o órgão e o Fórum das Seis (polo que reúne entidades sindicais e estudantis da USP, Unicamp, Unesp e do Centro Paula Souza) para o dia 14 de maio.
Pautas que estão sendo abordadas no protesto
Campanha Salarial 2026
- Reajuste salarial de 15,97% para recompor o poder de compra acumulado desde maio/2012, além da reposição da inflação do período 2025/2026.
- Valorização urgente dos salários iniciais das carreiras técnico-administrativas e docentes, com política isonômica entre as universidades e o Ceeteps.
- Garantia de isonomia salarial entre trabalhadores técnico-administrativos, docentes e servidores do Ceeteps.
- Defesa do financiamento das universidades públicas, com destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp.
- Contratação imediata via concurso público para reposição de vagas e ampliação do quadro de trabalhadores.
- Contra terceirizações e privatizações, com defesa dos serviços públicos e reversão de contratos terceirizados.
- Redução da jornada para 30 horas semanais para técnico-administrativos e trabalhadores da saúde, sem redução salarial.
- Fim do Ponto Eletrônico e defesa de condições dignas de trabalho.
- Defesa da aposentadoria pública, com paridade, integralidade e fim da contribuição de aposentados e pensionistas.
- Defesa dos Hospitais Universitários 100% públicos e SUS, contra autarquização, OSs e qualquer forma de privatização da saúde.
- Ampliação das políticas de permanência estudantil, com mais bolsas, moradia, restaurante universitário e apoio à saúde mental.
- Combate aos assédios e à violência institucional, com criação de protocolos efetivos de denúncia e punição.
- Defesa da autonomia universitária, da democracia interna e contra interferências do governo nas universidades.
- Fim da implementação da Autarquização da Área da Saúde (transferência do Complexo Hospitalar da Unicamp para a iniciativa privada).
Ato reprimido com gás de pimenta
Na última segunda-feira (11), trabalhadores e estudantes que aguardavam reunião de negociação com a reitoria da Unesp, foram atacados com gás de pimenta e agredidos por policiais militares, em São Paulo. Mas, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), os reitores da USP, Aluísio Segurado, e da Unicamp, Cesinha Montagner, não compareceram ao encontro. Ainda segundo o órgão, a reitora da Unesp e presidente do Cruesp, Maysa Furlan, recebeu o Fórum das Seis, mas não apresentou avanços na pauta.
Pauta unificada do Fórum das Seis para 2026
As entidades ligadas às três universidades estaduais paulistas apresentam 13 eixos centrais na Campanha Salarial 2026, que incluem:
- Reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde maio/2012, além da reposição da inflação de 2025/2026;
- Valorização dos salários iniciais das carreiras técnico-administrativas e docentes, com isonomia entre as universidades e o Ceeteps;
- Garantia de isonomia salarial entre técnicos, docentes e servidores do Ceeteps;
- Financiamento público: destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp;
- Contratação imediata por concurso público e reposição de vagas;
- Contra terceirizações e privatizações, com reversão de contratos terceirizados;
- Redução da jornada para 30 horas semanais (técnicos e saúde), sem corte salarial;
- Fim do ponto eletrônico e condições dignas de trabalho;
- Defesa da aposentadoria pública com paridade, integralidade e fim da contribuição de aposentados;
- Hospitais universitários 100% públicos e SUS, contra autarquização e OSs;
- Ampliação das políticas de permanência estudantil (bolsas, moradia, restaurante, saúde mental);
- Combate a assédios e violência institucional, com protocolos efetivos;
- Defesa da autonomia universitária e democracia interna.
O que dizem os alunos da Unicamp?
Segundo Luana Oliveira, representante e aluna do curso de Ciências Sociais da Unicamp, os alunos se uniram com os trabalhadores para reunir forças e reinvindicar as pautas.
A principal causa defendida pelos estudantes é sobre a melhoria das condições de permanência estudantil. “A Unicamp, tá abrindo vários novos cursos, mas antes de abrir esses novos cursos, primeiro, é necessário resolver os problemas que já tem”, explicou a aluna.
Luana também afirmou que as moradias estão em condições precárias e precisam de reformas. Além disso, os estudantes manifestam contra a autarquização e pedem melhorias no transporte universitário.
“O governo está realizando uma série de sucateamentos na universidade, como a autarquização do hospital, que faz os estudantes da área de saúde perder campo de estágio. Também estamos lutando pelo fim da terceirização, que faz com que a qualidade dos serviços oferecidos caia.” relata Luana Oliveira.
O que diz a Unicamp?
A Reitoria da Unicamp informou na primeira nota que mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e direções das unidades do campus de Limeira (FCA/FT) e de Campinas, reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais. [Veja a nota]
"A Administração Central prioriza o aprimoramento das políticas de permanência — incluindo moradia, transporte e auxílios — por entender que o suporte ao estudante é fundamental para a manutenção da excelência e da qualidade do ensino que caracterizam a instituição. Estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias.
A Reitoria reitera que valoriza o ambiente acadêmico, prezando pela segurança jurídica e pelo desenvolvimento das atividades com o rigor técnico e pedagógico necessários à formação de seus alunos".
Após repercusão a universidade emitiu um segundo comunicado informando que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso.
"Neste sentido, comunicamos que um novo encontro entre os representantes do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e das entidades sindicais será realizado na próxima quinta-feira, dia 14 de maio, em São Paulo.
A Unicamp reitera que preserva e respeita os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional. Informamos ainda que as atividades essenciais da Universidade transcorrem normalmente.
A Reitoria permanecerá empenhada no processo de negociação, buscando garantir que o desfecho seja o melhor possível para a preservação das atividades acadêmicas e para o conjunto da comunidade universitária".
*Estagiária sob supervisão.


