
Zé Carlos confessou esquema de corrupção na Câmara
Foto/CMC
A Câmara Municipal de Campinas (SP) informou às 18h10 desta segunda-feira (30) que o vereador Zé Carlos (PSB) renunciou ao mandato. A decisão foi tomada antes da votação do pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o parlamentar, protocolada após ele confessar ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que participou de um esquema de corrupção quando presidia a Casa.
A renúncia pode dificultar o andamento da CP, que poderia levar à cassação do mandato de Zé Carlos e à perda de direitos políticos. Segundo nota divulgada pela Câmara, “com a renúncia ao cargo, o processo de formação de uma Comissão Processante fica prejudicado em razão da perda de seu objeto por falta de interesse processual, bem como em virtude da extinção da punibilidade político-administrativa".
Com a saída de Zé Carlos, a Câmara inicia os trâmites para convocar o suplente Ailton da Farmácia, também do PSB, que obteve 4.372 votos nas últimas eleições municipais.
Confira na íntegra da Carta de Renúncia de Zé Carlos:
"Sr. Presidente e Colegas Vereadores e Vereadoras.
É com a certeza do dever cumprido, e gratidão a Deus, que venho informar a todos a minha Renúncia do Mandato de Vereador nesta Casa Legislativa nesta 19ª Legislatura do biênio 2025/2028.
Agradeço a todos os vereadores e vereadoras com quem pude conviver e trabalhar durante 21 anos nesta Casa, onde tive a oportunidade de presidi-la no período de 2021 e 2022, com o dever cumprido e as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Sinto-me honrado, foi um aprendizado em minha vida e agradeço a todos os Servidores desta Casa Legislativa, especialmente os meus assessores que muito me auxiliaram a cumprir o meu mandato.
Não poderia deixar de agradecer a todos os vereadores da Região Metropolitana de Campinas que participaram comigo quando fui eleito por aclamação a presidir o Parlamento Metropolitano, juntos conquistamos muitos benefícios para a Região de Campinas, em um momento difícil que atravessamos com a pandemia.
Quero externar os mais sinceros agradecimentos aos prefeitos com quem tive a oportunidade de conviver durante a minha trajetória na vida pública e aos secretários e servidores públicos do município que muito ajudaram no atendimento das demandas da população que não foram poucas.
Agradeço em geral a população de Campinas pela oportunidade de representá-los e reconhecer todo trabalho concretizado em benefício de Campinas.
De forma especial e com muita consideração, quero externar a minha gratidão aos meus eleitores, ao Distrito de Nova Aparecida em especial a Vila Padre Anchieta que é a “Minha Casa”.
Enfim, agradeço a Deus pois apesar de tudo que passei de 2022 para cá, ainda assim fui reeleito pela população, mas Deus sabe de todas as coisas que enfrentei e estou enfrentando, e é na Justiça Divina que eu acredito!
Obrigado meu Deus, porque até aqui o Senhor me sustentou...
Não é um adeus, mas um até breve.
Que Deus abençoe a todos!!!
José Carlos Silva"
Comissão Processante
A abertura da Comissão Processante estava prevista para ser votada ainda nesta segunda-feira (30), a partir das 19h. O pedido foi apresentado pelo advogado Lucas Henrique Trevisan, com base na confissão de corrupção passiva feita por Zé Carlos e no acordo de não persecução penal firmado com o MP.
A Procuradoria Jurídica da Câmara analisou o pedido e concluiu que ele atende aos critérios estabelecidos pelo Decreto-Lei nº 201/67, conhecido como “Lei dos Prefeitos”, que regula os crimes de responsabilidade de prefeitos e vereadores.
Para a denúncia ser aceita, era necessária a aprovação por maioria simples dos vereadores presentes. Caso fosse admitida, a CP seria composta por três parlamentares sorteados. Se rejeitada, a denúncia seria arquivada.
Confissão e acordo com o MP
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, Zé Carlos confessou que, enquanto presidia a Câmara de Campinas, solicitou propina para manter ou renovar o contrato de uma empresa terceirizada que prestava serviços à Casa. O então secretário de Relações Institucionais, Rafael Creato, também admitiu envolvimento no esquema.
As confissões foram formalizadas em um acordo de não persecução penal assinado em 10 de junho e publicado pelo G1 na semana passada. O vereador afirmou que o valor da propina seria destinado a ele próprio. Segundo o acordo, Zé Carlos se comprometeu a pagar R$ 151,8 mil, equivalente a 100 salários mínimos, em 15 parcelas. Já Rafael Creato deverá pagar R$ 45.450 em 12 vezes.
O advogado do parlamentar, Ralph Tórtima Stettinger Filho, declarou que "o vereador José Carlos apenas tem a esclarecer que não foi e não será processado em razão desses fatos, aguardando seu arquivamento". Ele ressaltou que outras informações estão sob sigilo judicial.
O inquérito do MP sobre o caso de corrupção passiva teve início em 2022. Zé Carlos foi afastado da presidência da Câmara em 31 de outubro daquele ano, mas continuou exercendo o mandato até a renúncia.
A reportagem da Band Mais tentou contato com a defesa de Rafael Creato, mas não obteve resposta.
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