"Backrooms" Um Não-Lugar: quando o espaço vira personagem

Por Redação
REDAÇÃO

03/06/2026 • 16:36 • Atualizado em 03/06/2026 • 16:36

Juh Pedron
Poster de Divulgação de "Backrooms"

Poster de Divulgação de "Backrooms"

Reprodução/Internet

Backrooms: Um Não-Lugar chega aos cinemas cercado de expectativa. Não apenas por nascer de uma lenda urbana da internet, mas por apostar em um tipo de terror cada vez mais presente no cinema contemporâneo: o medo que não depende do que acontece, mas de onde acontece.

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A pergunta é inevitável: o filme sustenta essa proposta na prática? Em grande parte, sim. Mas não sem tropeços importantes.

Inspirado no curta homônimo que viralizou na internet, o longa expande a ideia dos chamados backrooms, um espaço liminar que surge como uma espécie de falha na realidade. A narrativa acompanha Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor, um vendedor de móveis que, após uma descoberta estranha no porão de sua loja, entra em contato com esse ambiente impossível.

A partir daí, o que se abre não é exatamente uma história tradicional, mas um labirinto crescente de espaços desconectados, onde a noção de realidade começa a se dissolver. Quando Clark desaparece, Dra. Mary Kline, vivida por Renate Reinsve, sua terapeuta, assume o centro da busca e também acaba se perdendo dentro desse espaço.

Dirigido por Kane Parsons, que já vinha construindo esse universo em curtas e na estética do YouTube, o filme chama atenção logo de início pelo domínio visual. Há uma obsessão clara pela construção de atmosfera. Antes mesmo da chegada às backrooms, o longa já cria uma sensação de artificialidade controlada, com enquadramentos precisos, composição geométrica e uma estética levemente deslocada da realidade.

Primeiro contato do personagem com as Backrooms( Reprodução/Internet)

Primeiro contato do personagem com as Backrooms( Reprodução/Internet)

Quando a transição finalmente acontece, o filme encontra seu terreno mais forte. Os corredores infinitos, o carpete repetitivo, a luz fluorescente constante e a quase ausência de variação sensorial criam uma experiência que não é apenas visual, mas também física.

O desconforto nasce do próprio espaço: da repetição, da escala e, principalmente, da ausência de vida. É o tipo de cenário que não precisa de grandes acontecimentos para ser inquietante.

A direção de arte é, sem exagero, a grande protagonista do filme. Tudo parece milimetricamente calculado. A geometria domina os ambientes de forma quase hipnótica, criando a sensação de um mundo artificialmente organizado, mas sem função clara.

Até os elementos externos ao espaço liminar carregam essa precisão estranha, como se o filme já preparasse o espectador para entrar em um sistema completamente desligado da lógica habitual.

O uso do found footage reforça essa imersão. A câmera em primeira pessoa aproxima o público da experiência de exploração, quase como em um jogo de horror em que o espaço é descoberto aos poucos, sem explicação prévia.

O resultado é uma tensão constante. Não porque algo necessariamente acontece, mas porque o próprio ambiente parece errado o suficiente para sustentar o desconforto.

E é justamente nesse ponto que o filme encontra sua força e também sua limitação.

Cena do filme "Backrooms"(Reprodução/Internet)

Cena do filme "Backrooms"(Reprodução/Internet)

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