DIA D prova que Spielberg ainda é o mestre do deslumbramento

Por Redação
REDAÇÃO

12/06/2026 • 15:23 • Atualizado em 12/06/2026 • 15:23

Juh Pedron
Pôster do filme Dia D

Pôster do filme Dia D

Reprodução/ Internet

Fiz questão de assistir a Dia D na estreia. Steven Spielberg sempre foi minha maior referência no cinema. Desde criança, seus filmes despertaram em mim algo que poucos diretores conseguiram: a sensação de encantamento diante do desconhecido. Foi, em grande parte, por causa dele que decidi estudar cinema.

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Por isso, admito que escrever sobre este filme tentando ser imparcial não é tarefa fácil.

Nos últimos anos, apesar de continuar produzindo obras tecnicamente impecáveis, Spielberg já não me prendia da mesma forma. Mas Dia D conseguiu algo que eu não sentia havia muito tempo: me deixar completamente imersa na história.

Muito tem sido dito sobre este ser o retorno do diretor à ficção científica. Alguns críticos já o classificam como seu melhor trabalho no gênero em décadas. Se isso é verdade ou não, cada espectador vai decidir por conta própria. O que posso afirmar é que o filme deixa claro que Spielberg nunca perdeu o talento para lidar com o extraordinário.

Cena do Filme Dia D( Reprodução/ Internet)

Cena do Filme Dia D( Reprodução/ Internet)

A expectativa de parte do público, no entanto, talvez seja justamente a origem das críticas mais duras. Quem entra na sala esperando um novo E.T., Contatos Imediatos do Terceiro Grau ou até mesmo Guerra dos Mundos pode sair frustrado. Os alienígenas estão presentes, mas não da forma que muitos imaginam.

Eles aparecem pouco.

Muito pouco.

E essa é uma escolha deliberada.

Dia D não é um filme sobre extraterrestres. É um filme sobre a descoberta de que eles existem.

A narrativa acompanha personagens tentando revelar ao mundo uma verdade escondida há décadas, enquanto são perseguidos por forças interessadas em manter tudo em segredo. O foco está menos nos visitantes e mais no impacto que sua existência pode causar na humanidade.

É justamente isso que torna a experiência tão interessante.

As longas sequências de perseguição criam uma sensação constante de urgência. Em vários momentos me peguei na ponta da cadeira, irritada com algumas decisões do protagonista Daniel Kellner (Josh O’Connor), mas completamente envolvida pelo que estava acontecendo. E isso, para mim, é um dos maiores elogios que um filme pode receber.

Fazia tempo que uma ficção científica não me provocava esse tipo de reação.

Outro aspecto que me chamou atenção foi a forma como Spielberg retrata os alienígenas. Eles não surgem como monstros ou invasores. Pelo contrário. Existe quase uma relação de orientação, especialmente na ligação construída entre eles e a protagonista Maggie (Emily Blunt).

A natureza, os animais e a própria ideia de inocência aparecem constantemente associados a essas presenças extraterrestres. É uma escolha que conversa diretamente com a filmografia do diretor.

Spielberg sempre enxergou o fantástico através de um olhar infantil. Não por acaso, tantas crianças ocupam papéis centrais em seus filmes. Existe uma pureza em sua maneira de contar histórias, uma tentativa de recuperar aquele sentimento que temos quando ainda acreditamos que o mundo guarda mistérios esperando para serem descobertos.

E talvez seja exatamente isso que Dia D procura resgatar.

O filme também aposta em um final aberto, algo que certamente vai dividir opiniões. Confesso que saí da sessão querendo respostas. Queria saber o que aconteceria depois. Ao mesmo tempo, entendi que o objetivo nunca foi oferecer conclusões definitivas.

Porque, no fundo, Dia D não fala sobre o contato com alienígenas.

Cena do filme Dia D ( Reprodução/ Internet)

Cena do filme Dia D ( Reprodução/ Internet)

Fala sobre a preparação da humanidade para encarar uma verdade maior do que ela mesma.

Talvez por isso algumas pessoas tenham saído decepcionadas.

Mas talvez seja justamente por isso que Spielberg continua sendo Spielberg.

Nota: 9/10.

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