O retorno do BTS entre expectativa, estratégia e experimentação

Por Redação
REDAÇÃO

25/03/2026 • 10:05 • Atualizado em 25/03/2026 • 10:05

Juh Pedron
Esta é a capa do álbum Arirang, que marca o retorno do BTS com uma fase mais madura e experimental

Esta é a capa do álbum Arirang, que marca o retorno do BTS com uma fase mais madura e experimental

Divulgação

O retorno do BTS após o hiato para o serviço militar chegou cercado por uma expectativa rara até mesmo para os padrões do próprio grupo. Com transmissão global ao vivo pela Netflix e um documentário já anunciado na sequência, o comeback foi estruturado como um evento de grande alcance, pensado para marcar não apenas a volta aos palcos, mas o início de uma nova fase.

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A apresentação, realizada na Praça Gwanghwamun, em Seul, cumpriu parte desse papel. O grupo demonstrou presença, carisma e vocais consistentes, além de um cuidado estético evidente, reforçado pelos figurinos assinados por Jay Songzio, que combinaram referências históricas com uma abordagem contemporânea. Ainda assim, o show deixou a sensação de ser mais uma prévia do que um espetáculo completo. A duração enxuta, a ausência de trocas de figurino e o foco recorrente na plateia durante a transmissão limitaram a experiência, especialmente quando comparada a apresentações anteriores mais robustas, como o show de despedida em Busan. Nesse contexto, o comeback pareceu cumprir uma função estratégica clara: reacender o interesse e preparar o terreno para os próximos passos do grupo, incluindo a turnê mundial já anunciada.

Apresentação de comeback do BTS, transmitida ao vivo pela Netflix e que marcou o retorno do grupo aos palcos

Apresentação de comeback do BTS, transmitida ao vivo pela Netflix e que marcou o retorno do grupo aos palcos

Crédito: Divulgação

Essa mesma lógica se estende ao álbum Arirang, lançado com 14 faixas inéditas e ancorado em referências à identidade cultural coreana. O projeto encontra sua força justamente quando se aproxima dessa proposta. Em vez de apostar exclusivamente em uma sonoridade global padronizada, o disco incorpora elementos históricos e tradicionais, como em “No.29”, que utiliza o som do Sino Sagrado do Rei Songdeok, e em “Aliens”, que menciona Kim Gu, figura central do movimento de independência coreano. São escolhas que ampliam o significado do álbum e reforçam sua intenção conceitual.

No campo musical, “Arirang apresenta momentos mais e menos eficazes.”“Body to Body” se destaca como a faixa mais completa do disco, reunindo energia, apelo dançante e um uso marcante de elementos tradicionais que dialogam diretamente com o conceito do álbum. Em contraste, “Swim”, escolhida como faixa-título, funciona, mas não parece sintetizar com a mesma força a proposta do projeto. A escolha sugere uma direção mais contida para liderar o comeback, o que pode soar menos impactante diante da expectativa construída.

Outras faixas contribuem para a diversidade do álbum. “Please” equilibra pop e hip hop ao mesmo tempo em que valoriza o uso da língua coreana, reforçando a identidade do projeto. Já “Like Animals” chama atenção ao apresentar um registro vocal mais suave de SUGA, ampliando as possibilidades dentro do disco. Em termos líricos, “Normal” se sobressai ao abordar, com mais profundidade, as pressões enfrentadas por idols dentro e fora do palco, oferecendo uma das reflexões mais consistentes do álbum.

O videoclipe de “Swim” reforça parte das qualidades visuais do projeto, com fotografia elaborada e figurinos bem construídos. No entanto, a narrativa e a distribuição de foco levantam questionamentos. A participação da atriz Lili Reinhart, embora relevante do ponto de vista estético, acaba dividindo o protagonismo em um momento que, simbolicamente, pedia maior centralidade do grupo. Para um comeback desse porte, a escolha enfraquece a clareza da mensagem visual.

MV de “Swim”, faixa-título do álbum Arirang

MV de “Swim”, faixa-título do álbum Arirang

Crédito: Divulgação

No conjunto, Arirang se apresenta como um trabalho de transição. O BTS demonstra maior maturidade artística e uma disposição clara para experimentar, afastando-se parcialmente do pop dançante mais imediato que marcou fases anteriores. Essa mudança sugere um grupo mais confortável com sua trajetória e com a relação construída com o público, o que permite assumir riscos sem depender exclusivamente de fórmulas já consolidadas.

Ao mesmo tempo, o álbum não atinge o mesmo nível de impacto emocional de faixas como “Spring Day”, “Mikrokosmos” ou “Magic Shop”, que se tornaram referências dentro da discografia do grupo justamente pela conexão afetiva imediata e duradoura que estabeleceram com os fãs. Em Arirang, a emoção cede espaço à proposta estética e à experimentação.

O resultado é um comeback consistente, bem estruturado e conceitualmente interessante, ainda que menos arrebatador do que o histórico do BTS poderia sugerir. Mais do que um ponto de chegada, o projeto funciona como um indicativo de caminho e talvez seja justamente nos próximos passos dessa nova fase que seu potencial completo fique mais evidente.

Nota: 7/10.

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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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