Obsessão entrega o terror do ano?

Por Redação
REDAÇÃO

20/05/2026 • 15:39 • Atualizado em 20/05/2026 • 15:53

Juh Pedron
 Cena de "Obsessão"

Cena de "Obsessão"

Reprodução/Internet

Obsessão chegou aos cinemas cercado de hype. Nas redes sociais, o terror virou assunto constante, acumulando elogios da crítica e espectadores jurando que estamos diante do “filme do ano”, não apenas do terror do ano. A pergunta inevitável é: será que tudo isso se sustenta? Surpreendentemente, sim.

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Dirigido por Curry Barker, cineasta de apenas 26 anos que começou produzindo curtas no YouTube, o longa mostra como uma nova geração do horror vem encontrando maneiras inteligentes de transformar desconforto emocional em experiência cinematográfica. Barker estreia no cinema já demonstrando domínio de atmosfera, tensão e construção psicológica de personagem.

A trama acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem apaixonado pela melhor amiga de longa data, Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de revelar seus sentimentos, ele compra em uma loja esotérica um “One Wish Willow”, uma espécie de salgueiro dos desejos, pedindo que Nikki o ame mais do que qualquer coisa no mundo. O desejo funciona e é aí que o verdadeiro pesadelo começa.

Salgueiro dos desejosReprodução/Internet

Salgueiro dos desejosReprodução/Internet

Nikki passa a desenvolver uma obsessão doentia por Bear, transformando o relacionamento em uma espiral sufocante de amor, dependência e medo. O filme brinca constantemente com essa dualidade entre afeto e possessão, fazendo o espectador perceber rapidamente que o horror aqui não vem de fantasmas ou criaturas sobrenaturais. Vem das relações humanas.

Obsessão aposta no terror psicológico quase o tempo inteiro. Em vez de depender de jump scares constantes, o longa utiliza sombras, silêncios e ausência visual para provocar ansiedade. Em muitos momentos, ouvimos Nikki sem realmente vê-la, escondida na escuridão, criando uma sensação contínua de paranoia. O desconforto nasce justamente do que o filme escolhe não mostrar.

As influências de Hereditário são claras na ambientação e na construção cênica, algo que os fãs do gênero provavelmente vão enxergar como puro “absolute cinema”. A própria Inde Navarrette revelou ter buscado inspiração em atuações como as de Mia Goth (Pearl) e Toni Collette (Hereditário) para compor sua personagem. E isso aparece em cena o tempo inteiro.

Cena do filme "obsessão"(Reprodução/Internet)

Cena do filme "obsessão"(Reprodução/Internet)

Navarrette entrega uma atuação impressionante física e vocalmente. Sua personagem consegue alternar entre delicadeza, vulnerabilidade e uma presença quase demoníaca em questão de segundos. Expressões corporais estranhas, mudanças bruscas na voz e olhares inquietantes fazem dela o grande centro do filme. É impossível não ficar apreensivo toda vez que Nikki surge em cena.

Mesmo contando com algumas cenas mais pesadas, justificando facilmente sua classificação para maiores de 18 anos, Obsessão entende que o verdadeiro terror está na tensão constante. O filme prende do início ao fim justamente porque nunca deixa o público relaxar. Há sempre a sensação de que algo profundamente errado está prestes a acontecer. No fim, o hype faz sentido.

Obsessão não reinventa completamente o terror psicológico, mas executa suas referências com personalidade, inteligência e uma atmosfera sufocante que permanece na cabeça depois da sessão acabar. Para fãs de horror, é um prato cheio.

Nota: 10/10

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