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Agressões contra médicos crescem no Paraná e preocupam CRM

Estado registra 217 denúncias de violência em pouco mais de dois anos; maioria dos casos é de agressão verbal

Pedro Talin
PEDRO TALIN

24/06/2026 • 14:47 • Atualizado em 24/06/2026 • 15:09

Médicos e outros profissionais da saúde do Paraná relatam aumento de casos de violência no ambiente de trabalho, e o Conselho Regional de Medicina do estado promove encontros para discutir a situação, após registrar 217 denúncias de agressões, assédios e intimidações entre outubro de 2023 e junho de 2026.

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Um desses episódios envolve o médico Átila Vianna de Mattos, que sofreu violência enquanto atendia uma paciente. Depois de uma discussão, a direção retirou o profissional do consultório, mas, segundo ele, a paciente o abordou no corredor e passou a agredi-lo física e verbalmente.

Casos se multiplicam nos serviços de saúde

De acordo com dados levantados pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), o estado registrou 217 denúncias de agressões, assédios e intimidações contra médicos no período de outubro de 2023 a junho de 2026.

Somente em 2026, já são 57 ocorrências comunicadas ao conselho. A agressão verbal aparece como o tipo de violência mais comum, seguida de episódios de assédio moral relatados pelos profissionais.

Curitiba concentra o maior número de registros, seguida por São José dos Pinhais, Cascavel e Londrina. Os casos envolvem principalmente atendimentos em unidades públicas e privadas, onde o médico está em contato direto com pacientes e familiares.

Medo de denunciar limita busca por polícia

Apesar do volume de notificações ao CRM-PR, apenas 54 dos 217 casos resultaram em boletim de ocorrência registrado pelos profissionais junto às autoridades policiais. Em 163 situações, os médicos decidiram não procurar a polícia.

Os números indicam que muitos profissionais ainda se sentem inseguros para formalizar a denúncia fora do ambiente institucional, seja por medo de represálias, seja por acreditar que o episódio faz parte da rotina de trabalho.

Diante do cenário, o CRM-PR passou a organizar encontros com médicos e outros profissionais da saúde para debater a violência no exercício da profissão. As reuniões buscam ampliar a discussão sobre o tema e reforçar a importância de registrar os casos e de acionar os canais de proteção disponíveis.