A maior plataforma de hospedagem do mundo movimentou R$ 113 bilhões na economia brasileira no ano passado, uma alta de 13% em relação ao período anterior, impulsionada pelo aumento do número de turistas e pela expansão dos aplicativos de aluguel de curta duração em diversas cidades do país.
O modelo, baseado em aplicativos que conectam proprietários de imóveis a viajantes, envolve empresas e pessoas físicas que alugam estúdios e apartamentos por poucos dias. São, em geral, unidades menores, mas completas, com cozinha e serviços básicos, pensadas para quem permanece pouco tempo na cidade em viagens de trabalho ou lazer.
Oferta de curta duração ultrapassa rede hoteleira
No Brasil, são mais de 850 mil imóveis disponíveis para locação de curta duração, segundo dados do setor. O número cresceu cerca de 70% desde 2023, acompanhando o aumento da demanda por hospedagens flexíveis e mais baratas em comparação com hotéis tradicionais.
Com esse avanço, o país já tem mais imóveis cadastrados para aluguel por temporada nas plataformas digitais do que quartos na rede hoteleira. A nova oferta altera a dinâmica do mercado de hospedagem e redistribui a renda gerada pelo turismo entre um número maior de proprietários e administradoras de imóveis.
Curitiba amplia participação do aluguel por temporada
Em Curitiba, o crescimento é visível. O aluguel por temporada já representa mais de 6% das moradias da capital paranaense, de acordo com levantamento citado em reportagem da Band. A presença desse tipo de hospedagem se concentra principalmente em regiões centrais e próximas a polos de serviços e escritórios.
Para o diretor de hotelaria Cincinato Lui Cordeiro, o modelo de curta duração amplia a oferta de leitos e atende a um público que busca mais autonomia durante a estadia, o que obriga a rede tradicional a rever estratégias e investir em diferenciais de serviço para manter a ocupação.
Cadeia de serviços se reposiciona
A cadeia de fornecedores que atende o turismo também se adapta ao novo formato. Jorge Carvalho de Oliveira, CEO da empresa de cosméticos Realgems, explica que antes concentrava as vendas em hotéis, mas agora negocia também com empresas que administram apartamentos e estúdios voltados à locação de curta duração.
Na avaliação do executivo, a ampliação desse mercado potencializa a indústria como um todo, ao abrir espaço para novos contratos e exigir ajustes em produtos, logística e atendimento, já que muitos empreendimentos operam com estruturas menores e fluxo de hóspedes mais variável.
Hotéis tradicionais avaliam impactos
Para a rede hoteleira tradicional, o desafio é se adaptar ao novo cenário e entender como ficará o mercado nos próximos anos. Na visão de Paulo Iglesias, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Paraná (ABIH-PR), ainda há dúvida sobre a capacidade de a demanda sustentar todos os modelos de negócio, especialmente nos períodos de baixa movimentação nas cidades.
Iglesias ressalta que os hotéis buscam reforçar a oferta de serviços, eventos e experiências para manter a competitividade e defende que a concorrência com os aplicativos de hospedagem ocorra de forma equilibrada, garantindo segurança jurídica e previsibilidade para investimentos em toda a cadeia do turismo.
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