Bombeiros do Paraná que integram a força-tarefa brasileira na Venezuela detectaram, nesta sexta-feira, sinal de vida sob os escombros de um edifício de oito andares que desabou em La Guaira, região mais atingida pelos terremotos que devastaram o país há pouco mais de uma semana.
As equipes entraram no sétimo dia de trabalho ininterrupto, na chamada janela de resgate — período de cerca de dez dias após o colapso das estruturas considerado mais favorável para localizar sobreviventes. No cenário de destruição em La Guaira, a operação agora se concentra exclusivamente no prédio onde surgiram os indícios de uma vítima com vida.
Segundo o tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, líder da missão, o foco está no subsolo do imóvel. 'Nossas equipes detectaram vida no subsolo desse edifício. Já removemos algumas pessoas mortas. Nossas equipes, junto com profissionais do Equador e da Inglaterra, estão aqui, em um trabalho que começou na tarde de ontem. Há pouco conseguimos acessar a área do estacionamento', relatou.
Janela de resgate entra na fase mais crítica
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter atingiram a Venezuela em sequência no último dia 24 de junho e foram os mais fortes registrados no país em 100 anos. Até a noite de quinta-feira, o governo local confirmava mais de 2,5 mil mortos, e um levantamento da ONU estimava mais de 26 mil pessoas afetadas.
Logo após a tragédia, o governo federal brasileiro organizou uma força-tarefa para atuar nas buscas e resgates. Militares dos Corpos de Bombeiros do Paraná, São Paulo e Minas Gerais desembarcaram no país na noite de sexta-feira passada e, horas depois, já trabalhavam em campo, com apoio de cães farejadores como Arya e Meghan, da corporação paranaense.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a janela de resgate corresponde, em geral, aos dez primeiros dias após o desabamento, quando há mais chances de encontrar sobreviventes. Nesse período, algumas vítimas podem permanecer vivas em chamados espaços vitais, vazios formados entre elementos da construção onde ainda é possível respirar, mas as chances diminuem a cada dia.
Força-tarefa deve permanecer por até 15 dias
Na avaliação de Greinert, a etapa atual é a mais delicada. 'A maior parte das vítimas superficiais já foi retirada. Neste momento é muito difícil encontrar pessoas com vida, mas estamos nessa corrida, com expectativa de localizar alguém. Até os 10 dias vamos trabalhar com esforço máximo para tirar as pessoas dos escombros e apoiar essa tragédia', afirmou.
A previsão é que a força-tarefa brasileira permaneça na Venezuela por até 15 dias a partir do início da missão. O grupo está instalado em um acampamento montado como base operacional, de onde são planejadas as ações diárias de busca e salvamento nas áreas mais abaladas pelos tremores.
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