Os bombeiros do Paraná que participaram das buscas por vítimas dos terremotos na Venezuela receberam, nesta segunda-feira, uma homenagem na sede do governo do Estado, em Curitiba. O grupo voltou ao Brasil no fim de semana, após uma missão de 14 dias na região de La Guaira, a mais afetada pelos tremores registrados em 24 de junho.
A força-tarefa paranaense foi composta por 10 militares do Corpo de Bombeiros e dois cães de busca, Arya, de quatro anos, e Meghan, de cinco. A equipe chegou à Venezuela 72 horas após os abalos e atuou principalmente entre os escombros de edifícios na região costeira.
Missão em área devastada
Segundo o tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante da missão paranaense na Venezuela, o cenário encontrado em La Guaira era de completa destruição, com prédios altos reduzidos ao chão e famílias localizadas abraçadas sob os escombros. Ele relatou que os bombeiros passaram quase três dias sem abastecimento de água, em um trabalho contínuo de revezamento entre as equipes.
Na visão do oficial, a prioridade da equipe, logo após a chegada à Venezuela, foi a busca por sobreviventes entre os destroços. Com o passar dos dias, o trabalho passou a se concentrar na localização e retirada de corpos, em apoio às autoridades locais.
Cães de busca na linha de frente
As buscas com cães ficaram a cargo de Arya e Meghan, que atuaram ao lado de seus tutores em meio aos escombros. Conforme explicou o cabo Santos, tutor de Meghan, os animais avançavam antes das equipes humanas para indicar os pontos onde havia maior possibilidade de vítimas, orientando a abertura de acessos seguros nas estruturas colapsadas.
Já o soldado Bruno, tutor de Arya, destacou os cuidados adotados para preservar a saúde dos cães, como o uso de piscinas para resfriamento e o revezamento constante entre as duplas de trabalho. Ele lembrou que esta foi a primeira missão da cadela e que a experiência exigiu atenção redobrada ao bem-estar dos animais.
Reconhecimento e apoio psicológico
Os terremotos do dia 24 de junho, dois em sequência, são considerados os mais fortes registrados na Venezuela nos últimos 100 anos. De acordo com a última atualização do governo local, quase 5 mil pessoas morreram. No país, os bombeiros paranaenses participaram do resgate de mais de 20 vítimas sem vida.
Após 14 dias de atuação, os militares retornaram ao Paraná e agora passam por acompanhamento psicológico oferecido pelo Corpo de Bombeiros. Na cerimônia desta segunda-feira, o comandante-geral do CBMPR, coronel Hiller, participou da homenagem e reforçou o reconhecimento ao trabalho realizado na Venezuela. Para o cabo Santos, a solenidade marca o encerramento da missão e confirma, na avaliação dele, que a equipe conseguiu cumprir o seu papel em apoio à população venezuelana.
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