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Canetas emagrecedoras mudam dieta e impactam restaurantes

Uso dos medicamentos cresce 88% em um ano e leva consumidores a priorizar pratos leves e porções menores

João Marcelo
JOÃO MARCELO

23/03/2026 • 19:19 • Atualizado em 23/03/2026 • 19:19

Nos últimos anos, as chamadas canetas emagrecedoras passaram a alterar não só o ponteiro da balança. Ao reduzir o apetite e mudar a forma como o organismo digere os alimentos, os medicamentos vêm transformando a relação dos brasileiros com a comida e forçando restaurantes a adaptar cardápios.

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Mudança na relação com a comida

Segundo a nutricionista Cláudia Laskanski, as canetas emagrecedoras deixam a digestão mais lenta, o que interfere diretamente nas escolhas alimentares do paciente.

“Como a medicação faz com que a digestão fique mais lenta, se a pessoa come algo com muito açúcar ou gordura, sente náusea, azia, uma má digestão. Inconscientemente, ela passa a evitar esses alimentos e a buscar opções que não provoquem esse desconforto”, explica.

Na visão da especialista, esse efeito acaba gerando uma espécie de repulsa por comidas muito gordurosas e açucaradas. Com o tempo, o paciente tende a priorizar pratos mais leves, com mais fibras, legumes e preparações menos pesadas.

Restaurantes correm para se adaptar

Com clientes que comem menos e passam a procurar refeições mais equilibradas, estabelecimentos também mudam a forma de servir. Restaurantes relatam aumento na demanda por saladas, proteínas magras e acompanhamentos de legumes.

“A gente incluiu mais opções de salada, colocou mais alternativas para o cliente escolher. Na hora de montar o cardápio, sempre pensamos que carne magra vai ter, que legumes diferentes podemos oferecer para chamar a atenção desse pessoal que diminuiu o consumo”, conta a proprietária Francine Assis.

Para empreendedores do setor, o desafio é manter o faturamento em um cenário em que as porções encolhem e alimentos muito calóricos saem com menos frequência, enquanto cresce o interesse por combinações mais saudáveis.

Obesidade em alta e uso sob controle

No Brasil, uma em cada três pessoas vive com obesidade, proporção bem acima da média mundial, de 16%. O dado ajuda a explicar a busca por novas ferramentas de tratamento, como as canetas emagrecedoras.

De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, o uso desses medicamentos cresceu 88% no país no ano passado em relação a 2024. Diante da popularização, a Anvisa determinou que a venda só pode ocorrer com prescrição médica.

Cláudia Laskanski ressalta que o remédio deve ser um aliado na mudança de estilo de vida, e não a única estratégia.

“É importante mudar os hábitos, torná-los mais saudáveis e levar isso para a vida. Aproveite o momento em que você está usando o medicamento para consolidar esses hábitos e depois conseguir manter o emagrecimento”, orienta a nutricionista.

Profissionais de saúde destacam que o acompanhamento médico e nutricional é essencial para ajustar doses, monitorar efeitos e transformar o período de uso das canetas em oportunidade para uma reeducação alimentar duradoura.