Pela primeira vez, um carro 100% elétrico liderou as vendas no varejo brasileiro: em fevereiro deste ano, o Dolphin Mini, da montadora chinesa BYD, registrou 4.800 unidades comercializadas e ficou em primeiro lugar no país, quase mil à frente do segundo colocado, o Volkswagen Tera, segundo a Anfavea.
No primeiro bimestre, as concessionárias venderam quase 56 mil veículos elétricos no Brasil, de acordo com a entidade das montadoras. O volume representa alta de 65% em relação aos dois primeiros meses do ano passado e confirma o melhor início de ano já registrado para esse tipo de tecnologia.
Economia com combustível atrai motoristas
A busca por gastos menores no dia a dia aparece como principal motivo para a troca de modelos a gasolina ou etanol por carros a bateria.
Há cerca de um ano, o motorista de aplicativo Sérgio Guerra Correa decidiu substituir o carro flex por um elétrico. Ele calcula que, desde então, reduziu de forma significativa o orçamento destinado ao tanque.
"Antes eu gastava R$ 3,5 mil por mês com gasolina e agora gasto cerca de R$ 800 para carregar com eletricidade", relata Sérgio.
Rede de recarga cresce e aumenta confiança
Especialistas também atribuem o avanço das vendas à melhoria da infraestrutura urbana para recarga das baterias, com a abertura de novos pontos em shoppings, postos de combustível e garagens corporativas.
Segundo o pesquisador de tecnologia e sociedade da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Eloy Casagrande, a ampliação desse serviço mudou a percepção de parte dos consumidores.
"Atualmente a rede de postos para recarga aumentou bastante, o que deixa muitas pessoas mais confiantes para adquirir esse modelo", afirma Casagrande.
Manutenção menor compensa preço de compra
Apesar de ainda custarem mais que modelos populares movidos a álcool e gasolina, os veículos elétricos, em geral, apresentam menos custos de manutenção ao longo do tempo.
Para o gerente de concessionária Alexandre Félix, essa diferença aparece nas revisões periódicas realizadas nas autorizadas.
"A manutenção é 80% menor e as revisões são mais baratas", diz Félix.
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