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Como anda a investigação da morte de piloto em Ponta Grossa

Laudo aponta asfixia mecânica após banho com óleo de avião, e polícia do Paraná investiga composição do produto usado em ritual.

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

21/07/2026 • 13:52 • Atualizado em 21/07/2026 • 13:52

O laudo pericial sobre a morte do engenheiro e piloto em formação Gustavo Lara, de 27 anos, apontou que ele morreu por asfixia mecânica após uma reação alérgica grave desencadeada por um banho com óleo de avião em Ponta Grossa, no Paraná, na última quinta-feira, e a Polícia Civil investiga como a comemoração pelo primeiro voo solo terminou em morte.

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O ritual, segundo investigadores, é uma espécie de trote tradicional entre aviadores para marcar a etapa da formação de pilotos. Após pousar o primeiro voo solo, Gustavo recebeu sobre o corpo óleo usado em aeronaves, aplicado por um instrutor de voo que acompanhava a trajetória do aluno.

De acordo com depoimentos prestados à polícia, o jovem começou a passar mal minutos depois do banho de óleo. Socorristas que estavam no local relataram que ele sofreu um choque anafilático, quadro em que uma reação alérgica provoca o fechamento rápido das vias aéreas. Os profissionais o levaram de ambulância a um hospital, onde ele sofreu três paradas cardíacas e não resistiu.

Laudo confirma causa da morte

A perícia concluiu que a causa oficial da morte foi asfixia mecânica por exposição a produto químico. O documento reforça os relatos iniciais de que o engenheiro teve uma reação alérgica intensa logo após o contato com o óleo utilizado no ritual.

A investigação da Polícia Civil aguarda agora um laudo complementar da Polícia Científica para identificar a composição exata do material jogado sobre o piloto naquele dia. Os peritos vão analisar se o óleo estava puro ou se havia outras substâncias misturadas ao produto.

Segundo o delegado Lucas Petry, responsável pelo caso, o objetivo é esclarecer todas as possíveis causas do choque anafilático.

“Nós queremos descobrir se havia algum produto misturado ao óleo e se isso pode ter contribuído para a morte do piloto”, afirmou o delegado.

Tradição sob investigação

A polícia prendeu o instrutor de voo em flagrante após o episódio. Ele pagou fiança de R$ 3 mil e vai responder em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Em depoimento, o instrutor disse que o produto já tinha sido usado outras vezes no mesmo tipo de ritual sem registro de problemas. Ele relatou que utilizava sempre o mesmo recipiente com óleo e que, uma semana antes, outro aluno também tomou o banho após o voo solo, sem qualquer intercorrência.

“Sempre usei o mesmo óleo, do mesmo recipiente, e nunca aconteceu nada. Uma semana antes, outro aluno tomou o banho de óleo e não teve problema algum”, declarou o instrutor.

Riscos de reações alérgicas graves

A médica clínica Beatriz Cordeiro explica que reações alérgicas graves podem ocorrer em qualquer pessoa, embora alguns indivíduos tenham maior predisposição.

“Se a pessoa tem alergia a frutos do mar, a contrastes usados em exames ou a picadas de abelha, isso é um sinal de alerta importante, porque pode haver reação grave a determinadas substâncias”, afirma a médica.

Na visão de Beatriz, a rapidez no atendimento é determinante nesses casos. Ela destaca que a aplicação imediata de medicamentos adequados e a adoção de procedimentos para evitar o fechamento completo das vias aéreas aumentam as chances de sobrevivência.

Enquanto aguarda o resultado do laudo sobre a composição do óleo, a Polícia Civil continua a ouvir testemunhas e a reunir documentos. Com as conclusões da perícia, o inquérito deve indicar eventuais responsabilidades pelo uso do produto no ritual que culminou na morte de Gustavo Lara.