
Crise de profissionais de saúde na Itália abre vagas a brasileiros
Foto: Band Paraná
A falta de profissionais de saúde em diversos países europeus, em especial na Itália, tem aberto novas oportunidades para brasileiros que desejam trabalhar no exterior.
A família Dlugosz, de Campo Mourão, no interior do Paraná, já se organiza para mudar para a Itália nos próximos meses. Eles reuniram a documentação, pesquisam vagas, moradia e escolas para os filhos.
No plano da terapeuta ocupacional Laísa Dlugosz, o objetivo é atuar com idosos, área em que os hospitais e clínicas italianas registram carência de mão de obra.
Itália busca profissionais estrangeiros
Desde a pandemia de Covid-19, a Itália enfrenta uma crise no setor de saúde e tenta reforçar o quadro de médicos, enfermeiros e técnicos. Só no ano passado, o país abriu cerca de 65 mil vagas nessas funções, com salários que podem chegar a 7 mil euros, aproximadamente R$ 42 mil.
Para atrair estrangeiros, o governo italiano aprovou o decreto Flussi, que prevê quase 500 mil autorizações de trabalho para cidadãos de fora da União Europeia até 2028, com prioridade para profissionais da área de saúde.
Segundo Laísa, a perspectiva financeira pesa na decisão. "A expectativa é alta para ganhar bem. Meu marido vai cuidar da casa e dos filhos, porque o salário na área da saúde na Itália compensa", afirma a terapeuta ocupacional.
O marido, o empresário Lucas Dlugosz, explica que deve viajar antes da família para organizar a mudança. "Eu pretendo ir primeiro, conhecer melhor as cidades, procurar emprego e agilizar a escolha de uma boa casa para quando todos chegarem", relata.
Escassez se espalha por outros países europeus
A falta de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde não se limita à Itália. Países como Grécia e Espanha também relatam dificuldades para preencher vagas em hospitais e serviços públicos.
Entre as razões estão o aumento da demanda por atendimento, impulsionado pelo envelhecimento da população, e a aposentadoria em massa de profissionais que já atuavam há décadas nos sistemas de saúde europeus.
Em muitos países da região, quase metade dos médicos nativos tem 55 anos ou mais e deve deixar o mercado de trabalho nos próximos anos. Ao mesmo tempo, há uma migração de profissionais do leste e do sul da Europa para países mais ricos, como Alemanha e Reino Unido, o que agrava o cenário em regiões mais pobres.
Planejamento e documentação são fundamentais
A advogada internacional Renata Bueno, presidente do Instituto de Cidadania Italiana, recomenda que os brasileiros interessados em aproveitar essas oportunidades planejem cada etapa antes de fazer as malas.
"É possível organizar toda a documentação em pouco tempo, mas é necessário se dedicar aos vistos, autorizações de trabalho, validação de diplomas e tradução de documentos escolares", orienta Renata. Ela ressalta ainda que o domínio do idioma é um diferencial para conseguir vagas e se adaptar à rotina nos hospitais europeus.
Com a combinação de altos salários, programas de vistos específicos e carência de profissionais, a tendência é que o fluxo de trabalhadores brasileiros da área de saúde para a Europa cresça nos próximos anos.
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