A liberação de mosquitos aedes aegypti criados em laboratório e carregados com a bactéria Wolbachia, apelidados de wolbitos, foi realizada no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, como parte de uma estratégia para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya na capital paranaense.
Como atuam os mosquitos com Wolbachia
Os wolbitos nasceram em ambiente controlado e recebem a bactéria Wolbachia ainda na fase de criação. Ao serem soltos e se acasalarem com mosquitos aedes aegypti presentes na natureza, eles transmitem a bactéria para os descendentes, o que impede que o inseto consiga transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya.
A Wolbachia é uma bactéria natural presente em diversas espécies de insetos e, nesse tipo de projeto, os técnicos consideram o método seguro para as pessoas e para o meio ambiente. Em Curitiba, os mosquitos foram produzidos em uma fábrica instalada na Cidade Industrial, inaugurada em 2024, que abastece as áreas selecionadas para receber as liberações.
A estratégia com wolbitos complementa outras ações de controle do aedes aegypti, como visitas domiciliares de agentes de saúde e campanhas para eliminação de criadouros, que buscam reduzir a circulação do mosquito e, consequentemente, das doenças associadas.
Estratégia começou no país em 2012
O método que utiliza mosquitos com Wolbachia começou a ser aplicado no Brasil em 2012 e, desde então, vem sendo adotado em diferentes municípios como medida complementar de controle do aedes aegypti.
As primeiras liberações de insetos ocorreram dois anos depois, no Rio de Janeiro e em Niterói, no estado do Rio, marcando a entrada da técnica em áreas urbanas densamente povoadas.
No Paraná, a liberação de wolbitos começou há dois anos, com projetos em Foz do Iguaçu e Londrina. Nessas cidades, equipes liberaram aproximadamente 94 milhões de mosquitos em diferentes bairros, em ciclos programados ao longo dos meses.
Curitiba registra queda nos casos de dengue
Segundo a prefeitura, Curitiba conseguiu reduzir em 94% os casos de dengue no primeiro semestre deste ano, em comparação com os seis primeiros meses do ano passado.
Na avaliação da administração municipal, o resultado se deve principalmente ao envolvimento da população em mutirões de limpeza, que retiram lixo, recipientes e entulhos capazes de acumular água e se transformar em criadouros para o aedes aegypti.
A prefeitura destaca que a participação dos moradores continua essencial, mesmo com o reforço dos wolbitos, porque o mosquito precisa de água parada para se reproduzir. As equipes orientam que quintais, calhas, caixas d'água e outros ambientes sejam vistoriados com frequência para evitar novos focos.
Com a combinação entre tecnologia, produção em larga escala de mosquitos com Wolbachia e ações comunitárias, o município busca manter sob controle os índices de dengue e reduzir o risco de surtos de outras arboviroses, como zika e chikungunya, nos próximos períodos de maior circulação do vetor.
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