Band Paraná

Operação prende ex-secretário e afasta vice-prefeito de Morretes

Guilherme Wichthoffet Machado, ex-secretário municipal de Obras, foi preso no Rio de Janeiro; vice-prefeito foi afastado

Da redação
DA REDAÇÃO

31/07/2026 • 17:18 • Atualizado em 31/07/2026 • 19:09

Operação da PCPR no Litoral do Estado

Operação da PCPR no Litoral do Estado

Foto: PCPR

A Polícia Civil do Paraná prendeu preventivamente o ex-secretário municipal Guilherme Wichthoffet Machado e afastou do cargo o vice-prefeito de Morretes, Vitor Angelo Bertolin, durante a segunda fase da Operação Horímetro.

Compartilhar

A ação foi realizada nesta quinta-feira (30) e investiga suspeitas de corrupção, fraude em contratações públicas, peculato e lavagem de dinheiro no município do Litoral do Paraná.

Guilherme é ex-secretário municipal de Obras. Na nota oficial sobre a operação, a Polícia Civil o identifica como ex-secretário municipal de Infraestrutura.

A Justiça também determinou o afastamento do superintendente municipal de Obras e Projetos, cujo nome não foi informado pela corporação.

Ex-secretário foi preso no Rio de Janeiro

Guilherme Wichthoffet Machado foi alvo de um mandado de prisão preventiva e de uma ordem de busca e apreensão domiciliar.

Apesar de manter endereço fixo em Morretes, o ex-secretário foi localizado em um condomínio na cidade do Rio de Janeiro. Ele foi preso com apoio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e encaminhado ao sistema penitenciário.

A operação também contou com a participação do Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Morretes.

Vice-prefeito é afastado do mandato

A decisão judicial suspendeu Vitor Angelo Bertolin do exercício do cargo de vice-prefeito de Morretes.

O superintendente de Obras e Projetos também foi afastado imediatamente da função e de qualquer outro cargo público ocupado na Prefeitura.

Os dois investigados estão proibidos de frequentar a Secretaria Municipal de Infraestrutura, o pátio de máquinas e obras e outros setores municipais incluídos na decisão.

Também foram impostas restrições de contato com testemunhas, servidores públicos e outros investigados. O descumprimento das medidas pode resultar na decretação de prisão preventiva.

Polícia apura fraudes e pagamento de propina

A investigação apura possíveis fraudes em contratos firmados pela Prefeitura de Morretes e o pagamento de vantagens indevidas por empresas a agentes públicos municipais.

A Polícia Civil também investiga reuniões nas quais teriam ocorrido pedidos e negociações de propina, além de transferências de dinheiro para servidores públicos, pessoas próximas e integrantes de núcleos familiares.

As diligências apontam para o possível uso de contas bancárias de familiares, terceiros e pessoas utilizadas como “laranjas” para receber, movimentar e ocultar valores supostamente relacionados aos crimes investigados.

A apuração busca identificar a participação individual de agentes públicos, empresários e terceiros, além de rastrear a origem e o destino dos recursos.

Movimentações ultrapassam R$ 100 milhões

As análises bancárias apontaram que o núcleo formado pelos principais alvos da operação e pessoas diretamente relacionadas movimentou cerca de R$ 43,9 milhões em créditos e débitos durante o período investigado.

Quando consideradas outras pessoas físicas e empresas alcançadas pelas diferentes linhas financeiras da apuração, o volume analisado ultrapassa R$ 100 milhões.

A Polícia Civil ressalta que os valores representam o total de entradas e saídas nas contas examinadas. A investigação ainda trabalha para definir a origem, o destino e a natureza de cada movimentação, além de identificar quais operações possuem relação com os crimes apurados.

Primeira fase ocorreu em abril

A primeira fase da Operação Horímetro foi realizada em 1º de abril de 2026. Na ocasião, a Polícia Civil cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Foram apreendidos celulares, computadores, documentos e outras mídias eletrônicas. A análise do material permitiu identificar novos vínculos e fundamentar as medidas cumpridas na segunda fase.

Com as quatro ordens judiciais executadas nesta quinta-feira, a operação chega a seis medidas cumpridas desde o início da investigação.

O material apreendido será submetido a análise técnica e pericial. O caso tramita sob sigilo judicial.

Tópicos relacionados