Band Paraná

Curitiba testa 'wolbitos' no combate à dengue em bairro de risco

Agentes orientam moradores do Sítio Cercado antes da soltura de mosquitos com bactéria que bloqueia vírus. #BandCidade1PR

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

15/07/2026 • 14:08 • Atualizado em 15/07/2026 • 14:18

A Prefeitura de Curitiba vai iniciar em 29 de julho um projeto piloto de soltura de "wolbitos" no bairro Sítio Cercado, e desde a última semana agentes de saúde orientam moradores da região sobre o novo método de apoio ao controle do Aedes aegypti.

Compartilhar

Na casa da moradora Liane Maier, a equipe chegou logo cedo para explicar como a iniciativa vai funcionar. Ela diz que a medida é bem-vinda e vê a ação como forma de proteger a comunidade.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o Sítio Cercado foi escolhido por registrar muitos focos do Aedes aegypti. A visita dos agentes faz parte da preparação para a soltura dos "wolbitos" e busca esclarecer dúvidas da população antes do início das atividades.

O que são os "wolbitos"

Os "wolbitos" são mosquitos Aedes aegypti que recebem em laboratório a bactéria Wolbachia, capaz de impedir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. O método já é adotado em outras cidades brasileiras e agora chega à capital paranaense.

Segundo Francielle Cristine Narloch, diretora do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal da Saúde, estudos realizados em outras cidades apontam que o método pode reduzir em até 90% a circulação da dengue, zika e chikungunya nas áreas tratadas. Ela destaca ainda que os mosquitos com Wolbachia não fazem mal aos humanos.

Ela explica que o trabalho em Curitiba vai combinar a soltura de mosquitos adultos com a colocação de recipientes contendo ovos em "baldinhos" distribuídos pelo bairro. Esses ovos devem eclodir já com a Wolbachia, e pelo cronograma serão 26 semanas consecutivas de soltura na região.

Parceria e papel da comunidade

A ação ocorre em cooperação com a empresa Wolbito do Brasil, responsável pelos mosquitos com Wolbachia. Mesmo com o apoio da tecnologia, a prefeitura afirma que as medidas tradicionais de prevenção seguem essenciais para reduzir a presença do Aedes aegypti.

Conforme ressalta Francielle, o poder público não consegue enfrentar sozinho o problema. Ela afirma que os moradores precisam seguir eliminando qualquer ponto de água parada em casa e nos quintais, mantendo ações de rotina para evitar a proliferação do mosquito.

Liane conta que já adota cuidados diários e não deixa recipientes com água expostos. Para ela, todo cuidado ajuda e a iniciativa pode fortalecer o enfrentamento da doença no bairro.

Com a fase de esclarecimentos em andamento e o início das solturas programado para o fim de julho, a expectativa das autoridades locais é criar uma nova camada de proteção contra a dengue, sem substituir a necessidade de vigilância dentro de casa e na vizinhança.