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Desenrola 2.0 libera uso de FGTS para quitar dívidas; veja regras

Trabalhador poderá usar até 20% do saldo ou R$ 1 mil, e bancos terão 30 dias para fechar contrato com a Caixa

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

26/05/2026 • 13:56 • Atualizado em 26/05/2026 • 14:14

Trabalhadores endividados já podem consultar, pelo aplicativo do FGTS, o saldo disponível para uso na nova fase do programa Desenrola Brasil e autorizar o saque destinado à quitação ou ao pagamento parcial de débitos com o sistema financeiro.

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Nessa etapa, conhecida como Desenrola 2.0, será possível utilizar até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil, considerando sempre o maior valor entre os dois, para reduzir ou zerar dívidas.

O público-alvo são pessoas com rendimentos de até R$ 8.105 por mês e dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito direto ao consumidor, que poderão ser renegociadas com parte do fundo.

Depois de usar o FGTS para abater os débitos, os saques anuais e novas antecipações do saque-aniversário ficam suspensos até que o trabalhador recomponha o valor retirado, conforme as regras definidas pelo governo federal.

Como funciona a autorização pelo aplicativo

Para participar, o trabalhador precisa acessar o aplicativo do FGTS, selecionar a opção Desenrola Brasil, autorizar o uso dos recursos e indicar quais instituições financeiras poderão consultar e buscar o valor disponível.

Em seguida, o devedor deve negociar diretamente com o banco credor. A instituição financeira poderá abater do total da dívida o montante liberado pelo FGTS, reduzindo o saldo devedor.

Depois que o trabalhador consultar o saldo e autorizar a renegociação, os bancos terão até 30 dias para formalizar o contrato com a Caixa Econômica Federal. Os valores saem do fundo do trabalhador e vão diretamente para a instituição financeira responsável pelo débito, sem passar pela conta do cliente.

História de quem vê alívio nas contas

As dívidas acompanham a cuidadora de idosos Leda Araújo há pelo menos dois anos. Ela conta que a situação só começou a melhorar quando decidiu renegociar com os bancos e organizar o orçamento.

Leda afirma que não conhecia a possibilidade de usar o FGTS para pagar o que deve e agora pretende consultar o aplicativo para saber se o dinheiro pode ajudar a reduzir a “bola de neve” formada pelas contas em atraso.

Uso do FGTS é alternativa, avalia economista

Para o economista Jefferson Marcondes, liberar parte do FGTS para o Desenrola é uma alternativa para quem acumula dívidas e não encontra outra fonte de recursos para negociar.

Ele ressalta que, para muitos trabalhadores, o FGTS costuma ficar parado por anos e rende menos do que a poupança, o que torna o uso do dinheiro para quitar débitos uma opção a ser considerada, desde que o consumidor avalie com cuidado as condições da renegociação.

O governo federal estima que R$ 8,2 bilhões do FGTS sejam destinados ao Desenrola Brasil, valor que deve reforçar o volume de dívidas renegociadas nesta nova fase do programa.