O fim do fenômeno La Niña e o início da formação do El Niño foram confirmados recentemente pela Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), em comunicado que aponta impactos em todo o planeta, com efeitos diretos sobre o clima brasileiro nos próximos meses.
O que é o El Niño
O El Niño ocorre quando as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial sobem de forma gradual. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica em escala global e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversos continentes.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região. A tendência é de períodos de seca mais prolongada no Norte e no Nordeste, o que pode pressionar reservatórios, agricultura e rios que já operam em situação vulnerável em vários estados.
Riscos para o abastecimento e para o Sudeste
Nas áreas em que o fenômeno deve provocar calor acima da média, especialistas alertam para risco adicional ao abastecimento de água. Em São Paulo, o Sistema Cantareira, principal responsável pelo fornecimento de água à região metropolitana, opera atualmente com cerca de 43% da capacidade.
Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, o El Niño tende a mexer também com o calendário das precipitações no Sudeste. Ele avalia que, com a atuação do fenômeno, o ciclo das chuvas na região pode atrasar, o que aumenta a preocupação com os níveis dos reservatórios ao longo da estação seca.
Sul terá mais chuva e inverno menos rigoroso
Para o Sul do país, a projeção é diferente. Em reportagem em Curitiba, o jornalista Rodrigo Leite destacou que os efeitos do El Niño devem ser sentidos a partir do segundo semestre e se estender até o início de 2027, com mudança importante no regime de chuvas.
“Os efeitos do El Niño devem ser sentidos a partir do segundo semestre até o início de 2027. Aqui na região Sul, o fenômeno deve trazer mais chuva e possibilidade de eventos extremos, como enchentes e vendavais. A previsão é que o inverno deste ano seja menos rigoroso”, afirmou Leite.
Incêndios florestais e alerta às autoridades
Outra preocupação dos especialistas está ligada aos incêndios florestais. O pico do El Niño está previsto para acontecer entre setembro e outubro, justamente na transição entre o fim do inverno e o começo da primavera, período em que muitas áreas do país costumam registrar baixa umidade do ar.
Conforme aponta Reinaldo Kneib, o cenário já serve de alerta para que as autoridades adotem medidas preventivas, sobretudo em regiões suscetíveis a queimadas e a eventos extremos. Na visão do meteorologista, em geral, a atuação do El Niño traz uma série de problemas para o Brasil, ao intensificar tanto a falta de chuva em algumas áreas quanto o excesso em outras.
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