Casos recentes em Goiás, São Paulo e Maranhão reacenderam o alerta sobre o risco dos pontos cegos em caminhões e ônibus e impulsionaram empresas de transporte a investir em câmeras e sensores para aumentar a segurança no trânsito urbano.
Em Aparecida de Goiânia (GO), a Polícia Civil concluiu que o carro de um homem de 40 anos, morto ao ficar prensado entre um caminhão e um poste, estava em uma área lateral de baixa visibilidade. Em Vargem Grande do Sul (SP), uma adolescente de 15 anos morreu ao ser atingida enquanto andava de bicicleta, e em São Luís (MA) um artista vestido de palhaço quase foi atropelado durante uma apresentação na rua.
Áreas que ficam fora da visão do motorista
Os chamados pontos cegos são regiões ao redor de veículos de grande porte que não aparecem nos retrovisores nem no campo de visão direto do motorista. Dependendo da posição, pedestres, ciclistas, motociclistas e até carros podem simplesmente desaparecer para quem está ao volante.
Dentro da cabine de um caminhão, mesmo com espelhos laterais e frontais, há áreas imediatamente à frente, nas diagonais e na parte traseira em que a visão é limitada. Especialistas em segurança viária alertam que quem permanece ao lado da cabine, muito próximo das rodas ou encostado no para-choque corre mais risco de não ser visto.
Comportamentos que ajudam a evitar acidentes
Profissionais de engenharia de tráfego recomendam que motociclistas e ciclistas evitem circular por longos trechos ao lado de caminhões, que motoristas não parem colados às carretas nos cruzamentos e que pedestres não atravessem à frente de veículos altos. Para os condutores de veículos pesados, eles sugerem checagens constantes dos espelhos e redução de velocidade em áreas urbanas.
Câmeras, sensores e sistemas de detecção
Diante dos riscos, empresas de transporte de carga e de passageiros passaram a adotar recursos eletrônicos de auxílio à condução. Entre as soluções mais usadas estão câmeras com visão de 360 graus, sensores de proximidade nas laterais e na traseira, radares de curto alcance e sistemas de detecção de pedestres e ciclistas, que emitem alertas visuais e sonoros ao identificar objetos próximos ao caminhão.
Segundo empresas do setor, esses dispositivos têm ajudado a reduzir situações de perigo em manobras de estacionamento, conversões em vias estreitas e operações de carga e descarga. Especialistas ressaltam, porém, que a tecnologia não substitui a atenção do motorista nem a educação no trânsito e defendem a combinação entre equipamentos embarcados, manutenção da frota, capacitação contínua dos condutores e campanhas de orientação para pedestres e ciclistas.
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