Com a gasolina em alta nos postos de todo o país, motoristas voltam a fazer as contas para decidir se vale mais a pena abastecer com etanol ou com gasolina, enquanto o governo federal estuda aumentar a mistura de biocombustíveis nos combustíveis fósseis.
O autônomo Osvaldo Delcídio conta que pesquisa bastante antes de encher o tanque e compara preços em diferentes postos para economizar. Segundo ele, só depois dessa garimpagem decide onde abastecer.
Já o motorista de aplicativo Júlio Cezar afirma que, no carro dele, o etanol rende mais e por isso costuma optar pelo combustível derivado da cana, mesmo com a gasolina em alta.
A engenheira civil Gabriela Amâncio diz que geralmente usa gasolina. Questionada se já fez a conta para saber se o etanol compensa, admite que nunca calculou, mas afirma que, diante das últimas altas, pretende começar a comparar os dois combustíveis.
Como calcular se o etanol compensa em relação a gasolina
Como o desempenho do etanol no motor é menor, em torno de 70% do rendimento da gasolina, especialistas recomendam uma conta simples para definir o combustível mais vantajoso para carros flex.
Basta multiplicar o preço do litro da gasolina por 0,7 e comparar com o valor do etanol. Se o resultado for menor que o preço do etanol, a gasolina é mais vantajosa. Se for maior, o etanol passa a compensar.
Em um posto onde a gasolina custa R$ 7,19, por exemplo, a conta resulta em R$ 5,03. Se o etanol estiver acima desse valor, a orientação é abastecer com gasolina; se estiver abaixo, levar vantagem com o etanol.
Etanol só é mais vantajoso em três estados
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em apenas três estados o preço médio do etanol é mais vantajoso para donos de veículos flex: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Nesses estados, a relação entre o preço do etanol e o da gasolina gira em torno de 69%, ligeiramente abaixo do patamar de 70% considerado o limite de competitividade. Mesmo assim, a diferença é pequena.
Na média nacional, o etanol subiu menos do que a gasolina na última semana, mas, ainda assim, em boa parte do país a conta favorece o combustível fóssil na hora de abastecer.
Safra, mercado e impacto na bomba
Para o economista e especialista em biocombustíveis Martinho Ono, o momento do setor sucroenergético ajuda a explicar o comportamento dos preços. Ele lembra que o país está no fim da entressafra e que, a partir de abril, começa a moagem do novo ciclo da safra 26/27.
Segundo Ono, é comum haver pressão de alta durante a entressafra, mas, do ponto de vista dos produtores, o etanol manteve preços estáveis recentemente. Na visão dele, o que se viu foi "algum oportunismo no mercado da revenda", com reajustes pontuais, que ele classifica como casos isolados.
Governo avalia ampliar mistura de biocombustíveis
O governo estuda aumentar a proporção de etanol anidro na gasolina de 30% para 35% e elevar a mistura de biodiesel no diesel de 15% para 25%. O Ministério de Minas e Energia anunciou a criação de uma rede nacional de pesquisadores para avaliar a viabilidade técnica dessas novas misturas nos motores.
Conforme analisa Martinho Ono, como o etanol tende a ter, ao longo do tempo, preço inferior ao da gasolina, ampliar a mistura pode gerar alívio no bolso do consumidor. Ele avalia que, com mais etanol em um produto que custa menos, o valor final na bomba tende a cair alguns centavos por litro.
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