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Governo prepara Desenrola 2.0 com desconto de até 90% em dívidas

Pacote deve liberar FGTS, reduzir juros e alcançar dezenas de milhões de famílias em meio a recorde de endividamento

Da redação
DA REDAÇÃO

29/04/2026 • 13:59 • Atualizado em 29/04/2026 • 13:59

O governo federal prepara um novo pacote para reduzir o endividamento das famílias brasileiras, que atingiu nível recorde em março. Chamado de Desenrola 2.0, o programa deve ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anunciado ainda nesta semana, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

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Desenrola 2.0 mira juros altos e dívidas do dia a dia

A nova iniciativa faz referência ao Desenrola Brasil, que funcionou até 2024 e permitiu renegociar débitos dentro de faixas específicas de renda, valor e data de contratação. Agora, o foco volta a ser dívidas que mais pressionam o orçamento, como cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.

“O programa tem aquela linha geral de exigir reduções de uma dívida de que as famílias brasileiras mais sofrem hoje, como o cartão de crédito, o CDC e o cheque especial”, explicou Durigan após reunião com banqueiros em São Paulo, na segunda-feira (27).

O desenho em discussão prevê também a possibilidade de uso de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de dívidas, com saques limitados e vinculados à quitação dos débitos. Além disso, o governo deve liberar recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO), abastecido pelo Tesouro Nacional, para baratear o crédito.

Segundo o ministro, as taxas de juros atuais, que variam entre 6% e 10% ao mês em algumas modalidades, empurram as famílias para um ciclo difícil de romper.

“Estamos falando de taxas de juros que variam entre 6% e 10% ao mês. Então, uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, no mês seguinte, ela possivelmente vai ser uma dívida de R$ 11 mil. Uma família brasileira que recebe um salário médio possivelmente não sairá desse ciclo de atualização da sua dívida”, afirmou Durigan.

Quem deve ser alcançado pelo programa

De acordo com a Folha de S.Paulo, a taxa de juros nas renegociações pode ter teto de 1,99% ao mês, com substituição das dívidas antigas por novos contratos, menores, e prazo de até quatro anos para pagamento. O portal G1 informou que o público-alvo deve ser formado por brasileiros com renda de até cinco salários mínimos.

A Fazenda indica que o objetivo é ampliar o alcance em relação ao primeiro Desenrola, chegando a “dezenas de milhões de pessoas pelo país”. A meta é contemplar não apenas inadimplentes, mas também quem ainda não entrou em atraso, para evitar que o problema se agrave.

Na primeira versão do programa, entre 2023 e 2024, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53,2 bilhões em dívidas, e 2 milhões deixaram a inadimplência. O foco eram grupos sociais mais vulneráveis, com renda de até dois salários mínimos ou inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), e dívidas contraídas entre 2019 e 2022.

Endividamento em alta e alívio pontual

O pano de fundo do novo pacote é o avanço do endividamento. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março, sendo que 29,6% tinham dívidas em atraso.

Do total, 12,3% declararam não ter condições de pagar o que devem. Em média, as famílias permanecem 65 dias em situação de inadimplência. Em doze meses, o endividamento cresceu em todas as faixas de renda, com destaque para quem ganha entre cinco e dez salários mínimos, cujo índice passou de 74,1% em março de 2025 para 79,2% um ano depois. As famílias de menor renda, porém, continuam sendo as mais propensas a contrair dívidas e atrasar pagamentos.

Projeções da CNC indicam que o endividamento deve seguir em alta no primeiro semestre, enquanto o comportamento da inadimplência depende da inflação e dos reajustes de combustíveis e energia.

Durigan ressalta que o Desenrola 2.0, assim como a versão anterior, tem caráter emergencial.

“O novo programa, bem como o seu antecessor, é pontual, e as pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de medida”, afirmou o ministro, citando o impacto de fatores externos, como a guerra no Oriente Médio.

O primeiro Desenrola Brasil surgiu como resposta ao aumento das dívidas durante a pandemia de Covid-19. Agora, o governo tenta repetir a estratégia para reduzir o estresse financeiro das famílias e destravar o crédito, enquanto negocia com bancos e aguarda o aval final do presidente para definir taxas, prazos e regras de acesso.