A Hantavirose é uma zoonose viral aguda, causada por vírus RNA pertencente ao gênero Orthohantavirus, família Hantaviridae, ordem Bunyavirales. A infecção em humanos ocorre mais comumente pela inalação de partículas contendo excretas de roedores de diferentes espécies infectadas. Na América do Sul, inclusive no Brasil, em seu quadro clínico foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Os hantavírus possuem como reservatórios naturais alguns roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
Alta letalidade e regiões mais afetadas
No período, o estado notificou 2.605 casos suspeitos de síndrome pulmonar por hantavírus (SPH). Desse total, 172 foram confirmados para a forma cardiopulmonar da doença, conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), e 61 evoluíram para óbito.
As regionais de saúde com maior participação no total de casos confirmados são a 6ª RS, em União da Vitória (39,39%), a 4ª RS, em Irati (17,42%), a 2ª RS Metropolitana (14,39%) e a 3ª RS, em Guarapuava, com 12,88% das confirmações.
No Brasil, desde a identificação dos primeiros casos em 1993, em Juquitiba (SP), foram reportados 2.376 casos de hantavirose até dezembro de 2024, com letalidade próxima de 40%. A região Sul lidera em número de registros, com 849 casos e 281 óbitos, sendo 294 casos e 102 mortes no Paraná ao longo de todo o período.
Sintomas exigem atenção rápida
A hantavirose é uma infecção viral aguda causada por hantavírus, que têm como reservatórios naturais roedores silvestres capazes de eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Nas Américas, a doença vai de quadros febris inespecíficos a formas pulmonares e cardiovasculares graves, com possibilidade de evolução para a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA).
Na fase inicial, chamada prodrômica, os principais sinais e sintomas são:
- febre;
- dor nas articulações;
- dor de cabeça;
- dor lombar;
- dor abdominal;
- queixas gastrointestinais.
Na fase cardiopulmonar, o quadro se agrava, com:
- febre;
- dificuldade para respirar e respiração acelerada;
- batimentos cardíacos acelerados;
- tosse seca;
- queda da pressão arterial (hipotensão);
- derrame pleural e edema pulmonar não cardiogênico.
Nessa etapa, o paciente pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório, com letalidade em torno de 45%.
Transmissão, atividades de risco e diagnóstico
A infecção ocorre principalmente pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Também há risco por contato do vírus com pequenas escoriações na pele ou com mucosas da boca, nariz e olhos, além de mordeduras. Transmissão entre pessoas foi descrita de forma esporádica na Argentina e no Chile, associada ao hantavírus Andes.
Atividades domésticas como limpeza de cômodos fechados e peridomicílio, o trabalho agrícola e de manejo florestal, além de ecoturismo e esportes em áreas rurais, aparecem entre as situações de maior risco. Desmatamento, queimadas, expansão urbana sobre áreas rurais e fenômenos naturais como a floração de bambus, que aumenta a população de roedores, também favorecem casos e surtos.
O diagnóstico específico é feito em laboratórios de referência, principalmente por sorologia ELISA-IgM, que detecta anticorpos em cerca de 95% dos pacientes na fase inicial dos sintomas. Técnicas como imunohistoquímica e RT-PCR complementam a investigação, especialmente em casos de óbito ou para estudo do genótipo viral.
Tratamento, transporte e prevenção
Não há tratamento antiviral específico para a hantavirose. O manejo é de suporte, geralmente em ambiente hospitalar com possibilidade de terapia intensiva, devido à evolução rápida para insuficiência respiratória e choque. A doença é de notificação compulsória imediata e deve ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas.
Pacientes com sinais de gravidade devem ser transportados a hospitais com UTI, com suporte de oxigênio, ventilação adequada, controle hemodinâmico e medidas de biossegurança. O uso excessivo de líquidos intravenosos deve ser evitado.
A prevenção se baseia em impedir o contato com roedores silvestres e suas excretas. Entre as medidas recomendadas estão manter terrenos roçados, eliminar entulhos, armazenar alimentos em recipientes fechados e reforçar barreiras físicas contra roedores. Trabalhadores rurais e equipes de saúde que atuam em áreas de risco devem usar equipamentos de proteção individual, como máscara PFF3, luvas, avental, óculos e galocha.
Pessoas que apresentarem febre ou sintomas respiratórios até 60 dias após exposição a ambientes com presença de roedores devem procurar atendimento médico imediato e informar a possível situação de risco.
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