Band Paraná

Justiça solta padrasto que filmava enteada e filha no banho no Paraná

Desembargador substitui prisão por medidas cautelares e monitoração eletrônica; adolescente de 15 anos está em depressão, apurou a Band Paraná

Marcel Mercúrio
MARCEL MERCÚRIO

15/04/2026 • 14:46 • Atualizado em 15/04/2026 • 14:46

Sede da Justiça do Paraná em Curitiba

Sede da Justiça do Paraná em Curitiba

Reprodução/Band

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) mandou soltar o homem de 44 anos preso em flagrante em 20 de fevereiro de 2026, em Nova Cantu, suspeito de instalar uma microcâmera no banheiro de casa para filmar a enteada de 15 anos e a filha, de 7, durante o banho, após decisão do desembargador Mario Nini Azzolini que trocou a prisão preventiva por medidas cautelares.

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Decisão do TJPR

Na decisão liminar, Azzolini determinou o afastamento do suspeito do lar, a proibição de contato por qualquer meio e de aproximação das meninas, de sua residência e das testemunhas, além da monitoração eletrônica.

O magistrado escreveu que "defiro parcialmente o pedido liminar, para determinar a substituição da prisão preventiva do paciente por medidas cautelares", e autorizou que o juízo de origem imponha outras restrições consideradas necessárias; o investigado passa a responder ao processo em liberdade, desde que cumpra todas as condições.

Como foi a prisão

A prisão em flagrante ocorreu quando a Polícia Civil foi até a casa da família, em Nova Cantu, após o Conselho Tutelar receber uma denúncia anônima sobre possíveis abusos e repassar a informação às autoridades.

Durante a vistoria, investigadores encontraram uma microcâmera instalada no forro do banheiro, com fios ocultos e ligação à energia elétrica e à internet, direcionada para o chuveiro e registrando as imagens da enteada e da filha enquanto tomavam banho.

Os policiais apreenderam o celular do suspeito e, segundo a investigação, o aparelho guardava diversos vídeos feitos no local; análises iniciais apontam que parte das gravações pode ter sido enviada a outras pessoas, e a Polícia Civil apura crimes de produção, armazenamento e possível divulgação de material de exploração sexual infantil, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Em depoimento, o homem confessou que comprou a microcâmera pela internet e a instalou no banheiro sem que ninguém da família soubesse; a mãe das duas meninas afirmou desconhecer o equipamento, disse estar abalada com o caso, e o Conselho Tutelar acompanha a família, com atendimento pela rede de proteção.

Impacto nas vítimas

Segundo apurou a Band Paraná, a adolescente de 15 anos apresenta quadro de depressão desde que o caso veio à tona, faz acompanhamento psicológico e relata sentir "nojo de si própria".

A menina de 7 anos também é acompanhada por profissionais especializados, e a polícia não divulga o nome do investigado para preservar a identidade das crianças; as investigações continuam para esclarecer a extensão dos crimes e identificar se outras pessoas tiveram acesso aos vídeos.