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Mordidas de cães crescem 43,4% no SUS e ligam alerta a pais

Internações por ataques aumentam em cinco anos e especialistas pedem supervisão constante entre pets e crianças

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

19/03/2026 • 13:51 • Atualizado em 19/03/2026 • 13:51

Internações por mordidas de cães no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram 43,4% nos últimos cinco anos em todo o país, o que acende um alerta para a segurança de crianças e adultos na convivência com os animais dentro de casa.

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Internações por mordidas crescem no SUS

De acordo com registros de hospitais da rede pública, mais pessoas precisaram de internação após ataques de cães nesse período. Especialistas afirmam que o crescimento reforça a necessidade de supervisão permanente, principalmente quando há crianças pequenas em casa.

Um caso recente ocorreu no fim do ano, no Espírito Santo. Noah, de 1 ano e 7 meses, sofreu ferimentos graves no rosto ao ser atacado pelo cachorro da própria família, ficou 14 dias internado e agora se recupera em casa. Após o ataque, a família decidiu doar o animal a um vizinho.

Mãe de Noah, Luana Menário conta que a rotina da casa mudou depois do episódio e que todos ainda se lembram dos dias de hospital.

"Foi muito difícil e o trauma foi muito grande para todos nós", afirma.

Mesmo cães dóceis podem atacar

Profissionais que atuam com comportamento animal lembram que mesmo um cachorro considerado dócil pode ter uma reação inesperada e machucar alguém, especialmente quando se sente ameaçado ou precisa defender algo. Isso é mais comum quando o animal está se alimentando ou quando alguém tenta tirar um brinquedo ou objeto que ele considera seu.

Além do instinto de defesa, o cão também pode demonstrar ciúmes e frustração, inclusive na presença de quem ele reconhece como dono. Em ambientes com crianças, essa combinação aumenta o risco de agressões.

Para o adestrador Cristian Jean Baroni, é preciso limitar o tipo de contato das crianças com o pet.

"Crianças devem evitar colocar a mão na boca ou nos olhos do cachorro, porque isso pode incomodar o animal e provocar uma reação", orienta.

Supervisão permanente e risco de sequelas

Médicos e veterinários reforçam que crianças pequenas não devem ficar sozinhas com o cachorro, já que não conseguem se defender em caso de ataque. A recomendação é que sempre haja um adulto por perto para acompanhar a interação.

O cirurgião plástico Lincoln Graça Neto alerta que mordidas de cães podem provocar lesões permanentes.

"A mordida costuma ser profunda e o cão tem a boca muito suja, o que pode causar contaminação; por isso é necessária atenção permanente dos pais", afirma.

Na visão dos especialistas, prevenir acidentes passa por reconhecer que, apesar do vínculo afetivo, cães têm instintos e limites que precisam ser respeitados. A supervisão constante, dizem, é a forma mais eficaz de proteger as crianças e garantir uma convivência segura.