O Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia contra um homem acusado de manter a companheira em cárcere privado por um ano e três meses em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Na última sexta-feira (7), ela foi resgatada após enviar um e-mail com pedido de socorro para a Secretaria da Mulher do município. Segundo as autoridades, ela vivia presa dentro da própria casa.
Na mensagem, a vítima relatou que não podia escolher as próprias roupas, teve dois celulares quebrados e tinha as redes sociais constantemente vigiadas. O companheiro instalou grades nas janelas e câmeras de segurança pelo imóvel e não permitia que ela mantivesse contato com familiares.
Segundo a secretária da Mulher de Colombo, Gecielle Schena, a troca de mensagens deixou claro que a vítima estava impedida de buscar ajuda presencialmente.
"Depois de um tempo de troca de e-mails, entendemos que ela não tinha possibilidade de sair da residência para fazer boletim de ocorrência ou a denúncia das violências domésticas que sofria", relatou.
Durante o período de confinamento, a mulher também sofreu agressões físicas. O suspeito tentou fugir, mas a polícia o prendeu em flagrante. Ele agora está preso preventivamente. O Ministério Público do Paraná denunciou o homem por cárcere privado e violência psicológica e pediu a aplicação de medidas protetivas em favor da vítima.
Histórico e novas denúncias
O casal se conheceu pela internet. A mulher deixou o interior do Paraná para viver com o companheiro em Colombo e não tem parentes na cidade. Após a prisão, o suspeito negou as acusações e alegou que instalou as câmeras apenas para proteger a casa.
Conforme apurado pela polícia, ele já responde a outras duas denúncias semelhantes por violência doméstica contra ex-companheiras, registradas em 2020 e 2022. O caso chamou a atenção pela extensão das restrições impostas à vítima, inclusive durante a gestação.
Para a soldado da Polícia Militar Sílvia, que atendeu a ocorrência, o episódio evidencia a gravidade das violações.
"É uma situação que chama nossa atenção porque ela teve todos os tipos de direitos violados. Mesmo quando gestou e deu à luz à criança, em nenhum momento teve oportunidade de pedir socorro, que só foi viabilizado por um e-mail enviado escondido à ouvidoria da mulher do município", afirmou.
Acolhimento e proteção
Logo após o resgate, a mulher e a filha recém-nascida foram encaminhadas para a casa de acolhimento da mulher colombense, onde recebem suporte psicológico, social e material.
"Logo após essa situação, ela foi encaminhada para a casa de acolhimento da mulher colombense. Tanto ela quanto a filha recém-nascida receberam suporte e toda a ajuda necessária de imediato, para se sentirem protegidas nesse momento de extrema vulnerabilidade. Agora ela tem a família no interior do estado e vamos deixar por conta deles decidirem o que será melhor tanto para ela quanto para essa criança, que com certeza precisa de cuidados", explicou a delegada Maluhá Silva.
Na visão das autoridades locais, o caso reforça a importância de canais de denúncia específicos para mulheres em situação de violência, como secretarias municipais e ouvidorias especializadas, sobretudo quando a vítima enfrenta dificuldades para chegar até uma delegacia.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

