Uma audiência pública realizada nesta segunda-feira, em Curitiba, discutiu as regras da nova concessão das ferrovias federais que cruzam o Paraná, com contrato previsto de 30 anos, e reuniu lideranças políticas, representantes dos setores de transporte e de engenharia para sugerir ajustes no edital dos corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.
As linhas férreas que atendem o estado integram a malha concedida pelo governo federal. O contrato atual termina em fevereiro de 2027 e, no fim do ano passado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) dividiu a operação em lotes que devem ser levados a leilão até dezembro.
Segundo participantes da audiência, o objetivo é atualizar o modelo de concessão, ampliar a capacidade dos ramais e garantir que o novo contrato incorpore demandas regionais, tanto do poder público quanto da iniciativa privada.
Governo e iniciativa privada buscam ampliar ramais
Para Nelson Luiz Gomes, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), a construção de novos acessos ferroviários depende diretamente das regras previstas no edital.
Ele avalia que a participação conjunta de União, governo estadual e empresas pode viabilizar investimentos em diferentes regiões.
'É uma contribuição de todos: governo federal, governo estadual e iniciativa privada, que pode investir em novos ramais, novas concessões e novos acessos ferroviários em todo o estado do Paraná. Isso é perfeitamente possível, desde que o edital que está sendo discutido incorpore essas sugestões.'afirma Nelson Luiz Gomes, do IEP.
Setor industrial vê chance de tirar carga das rodovias
Na visão de João Arthur Mohr, superintendente da Fiep, o novo contrato representa uma oportunidade para reequilibrar a matriz de transportes, reduzindo o excesso de cargas nas estradas.
Ele lembra que o uso maior da ferrovia pode aliviar o tráfego rodoviário rumo ao porto de Paranaguá e também facilitar o envio de mercadorias para o interior do estado.
'É importantíssimo que a gente retire cargas que não precisam estar na estrada e coloque essas cargas em vagões, para levar ao porto de Paranaguá e também levar cargas para o interior. Veja, é uma oportunidade única para nós resolvermos um problema que há décadas temos, que é o excesso de concentração no modal rodoviário em detrimento do modal ferroviário.'pontua João Arthur Mohr.
Curitiba pede contornos e retirada de trilhos na área urbana
Entre as propostas apresentadas na audiência está a retirada dos trilhos que ainda cruzam trechos densamente habitados de Curitiba, com a criação de contornos ferroviários para desviar o tráfego de cargas da região central.
De acordo com a ANTT, a capital registrou mais de 760 acidentes envolvendo trens entre 2020 e 2026, o que reforça a pressão local por mudanças no traçado.
Nelson Luiz Gomes destaca que os projetos para os contornos da cidade precisam passar por estudos técnicos rigorosos, mas vê a solução como exequível dentro da nova concessão.
Para ele, a análise ambiental e financeira deve orientar a implementação dos novos trajetos.
'A concessão não é uma ferrovia impossível, difícil. Não, é fácil de ser executada. É claro que tem que ser estudada ambientalmente e não só ambientalmente, como também na parte financeira, com o estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Então é isso que tem que ser feito para que sejam executados os dois contornos aqui de Curitiba.'analisa o presidente do IEP.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

