Uma onça-pintada de quase 100 quilos foi capturada hoje na área rural de Mandaguari, no norte do Paraná, após mais de 40 dias de buscas de uma força-tarefa formada pelo Instituto Água e Terra (IAT), Polícia Militar Ambiental e pesquisadores.
A captura ocorreu durante a madrugada. Segundo veterinários da operação, o felino estava tranquilo quando as equipes o localizaram e foi sedado para que o resgate ocorresse com segurança. O macho, de cerca de seis anos, recebeu atendimento inicial ainda na região.
Força-tarefa monitorou animal por 40 dias
As primeiras aparições da onça-pintada aconteceram em abril, em áreas rurais de Mandaguari. A partir desses registros, a Polícia Militar Ambiental e o IAT iniciaram o monitoramento do felino.
Em 16 de maio, uma força-tarefa se formou depois que câmeras de segurança flagraram o animal duas vezes dentro de uma empresa da cidade. As imagens mostram o felino circulando pelo galpão, deitando, se espreguiçando e aparentemente interagindo com o próprio reflexo em uma porta.
De acordo com a bióloga Nathalia Colombo, da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT, toda a operação priorizou a proteção da comunidade e do animal.
"Essa captura foi feita a partir de uma avaliação bastante criteriosa, para garantir a segurança da população e o bem-estar do animal", afirmou a especialista.
Onça será avaliada e pode reforçar população da espécie
Após o resgate, a onça-pintada segue para o Zoológico de Cascavel, no oeste do Paraná, onde passará por uma nova bateria de exames. Os técnicos pretendem avaliar com mais detalhes o estado de saúde do animal antes de definir o destino final.
O médico-veterinário do IAT Pedro Chaves de Camargo explica que a equipe técnica vai decidir o melhor local para encaminhar o felino.
"Os especialistas podem inclusive usar o animal em ações de reforço populacional da espécie em outro ambiente, diferente daquele em que ele foi encontrado", explicou.
Orientações em caso de novo encontro com felinos
Casos de aparição de onças-pintadas no Paraná têm sido registrados em diferentes regiões. Nesta semana, um animal da mesma espécie, com 76 quilos, surgiu embaixo de um varal em Foz do Iguaçu, também no oeste do estado.
Para a bióloga Amanda Scheffer Beltramin, chefe da Divisão de Estratégias para Conservação do IAT, a principal orientação é manter a calma e evitar qualquer aproximação.
"A população não deve tentar capturar, afugentar ou se aproximar do animal. Na maioria das situações, o felino apenas segue o caminho e retorna ao ambiente em que vive. O mais importante é comunicar o IAT", orientou.
Ela lembra ainda que o uso de armadilhas e outros dispositivos para atingir a fauna silvestre configura crime ambiental.
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