Uma operação da Polícia Militar Ambiental e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente do Paraná prendeu 23 pessoas e apreendeu 25 armas de fogo usadas em caça ilegal em 15 cidades do estado e em municípios de Santa Catarina e Mato Grosso nesta semana, além de resgatar 15 cães mantidos em situação de maus-tratos.
Os mandados de busca e apreensão ocorreram em diferentes regiões do Paraná, em cidades como Lapa, Guaratuba e União da Vitória. As equipes também cumpriram ordens judiciais em localidades de Santa Catarina e Mato Grosso, onde localizaram armas, armadilhas e outros equipamentos usados na caça.
Entenda a operação
O tenente-coronel Álvaro Gruntowski, comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) da PMPR, explicou que a ação resulta de um trabalho conjunto em campo e do atendimento a ocorrências pela Polícia Militar Ambiental e pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.
Segundo ele, a operação teve como foco recolher armamentos, armas de fogo utilizadas em caça, armadilhas, outros petrechos e eventuais animais silvestres mantidos em cativeiro ou produtos da fauna. Na avaliação do oficial, boa parte dos alvos praticava caça e também comercializava armas de forma ilegal.
Gruntowski afirmou que muitos dos investigados estão envolvidos em crimes de caça e em manutenção ilegal de animais silvestres em cativeiro, o que motivou a atuação articulada dos órgãos de segurança e de fiscalização ambiental.
Resgate de cães e maus-tratos
Durante a operação, as equipes resgataram 15 cães que, de acordo com as investigações, eram usados na caça ilegal e estavam em situação de maus-tratos. Os animais foram encontrados em propriedades rurais e áreas de difícil acesso.
O delegado Guilherme Dias relatou que os responsáveis submetiam os cães a diferentes formas de violência para torná-los mais agressivos e eficientes na caça. Ele afirmou que os animais sofriam privação de comida e outras práticas de maus-tratos.
Conforme descreveu o delegado, os cães apresentavam inúmeras cicatrizes, estavam muito magros e viviam em ambientes úmidos e escuros, o que reforça o quadro de crueldade identificado pelas equipes.
Grupos atuavam em quatro estados
As investigações começaram após uma denúncia anônima recebida no ano passado sobre comércio de armas de fogo feito por aplicativo de mensagens. De acordo com a polícia, os grupos reuniam integrantes de diferentes estados brasileiros e compartilhavam imagens de caças ilegais.
Para o delegado Guilherme Dias, os grupos criminosos investigados fazem parte de uma rede que envolve quatro estados da federação: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Ele explicou que os investigadores conseguiram se infiltrar em grupos de caçadores em ambientes digitais.
Segundo Dias, esse trabalho de infiltração permitiu compreender a dinâmica do tráfico de armas e munições associado à caça ilegal de animais silvestres em diversas regiões do país. Ele destacou que entre as espécies caçadas há animais ameaçados de extinção.
Entre os animais citados pelo delegado estão veados, cutias, pacas e tatus, além de espécies conhecidas como veado-mateiro e veado-catingueiro, todos pertencentes à fauna silvestre brasileira.
Crimes e destino dos animais resgatados
Os investigados devem responder por crimes de caça de animais silvestres, comércio ilegal de arma de fogo e, no caso dos cães, por maus-tratos contra animais. O inquérito reúne evidências tanto da atuação na caça quanto da participação no tráfico de armamentos.
Os 15 cães resgatados serão encaminhados para uma organização não governamental na região de Curitiba. A entidade ficará responsável pela recuperação e pela futura adoção dos animais.
A fundadora da ONG SOS 4 Patas, Mariane Mazzon, informou que a instituição receberá 15 animais de três municípios diferentes. Ela disse que todos passarão por atendimento veterinário, recuperação, vacinação e castração antes de serem disponibilizados para adoção.
Mariane ressaltou que o objetivo é oferecer um novo lar aos cães, após o período de reabilitação física e comportamental, e reforçou a importância de denúncias para coibir práticas de caça ilegal e maus-tratos.
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