O Paraná alcançou neste ano a marca de 16 mil detentos com material genético coletado, o equivalente a 50% da população carcerária do estado, em trabalho realizado nas 119 unidades prisionais, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
Os perfis genéticos desses internos alimentam um banco nacional de DNA, usado para comparar marcas biológicas de locais de crime com registros de condenados e auxiliar na elucidação de homicídios, estupros e outros delitos.
No estado, os trabalhos se intensificaram desde o início do ano. A coleta ocorre em todas as regiões, com equipes das polícias Científica, Penal e Civil atuando de forma integrada para ampliar rapidamente o número de perfis disponíveis.
Segundo Saulo Sanson, secretário de Segurança Pública, os agentes recolhem saliva com swab bucal e enviam as amostras aos laboratórios da Polícia Científica, que extraem o perfil genético e o incluem no sistema nacional.
Banco de DNA ajuda a desvendar casos antigos
Para Ciro Pimenta, diretor-geral da Polícia Científica do Paraná, o cruzamento desses dados é fundamental para identificar suspeitos em investigações em andamento e em crimes antigos. Nas cenas de crime, peritos coletam sangue, sêmen e outros vestígios biológicos, depois comparados com os registros de condenados.
Um dos exemplos citados pela corporação é o caso da menina Raquel Genofre, morta em 2008. À época, o corpo da criança de 10 anos foi esquartejado e encontrado dentro de malas na rodoviária de Curitiba, sem que a autoria fosse identificada.
A identificação do responsável ocorreu em 2019, quando o perfil genético de um homem preso por outro delito coincidiu com o material coletado no local. O match de DNA permitiu apontar o autor e concluir a investigação mais de uma década após o crime.
No ano passado, o Paraná registrou o segundo maior número de coincidências de DNA entre os estados brasileiros, segundo a Polícia Científica. Em 2026, já foram 27 matches, sendo 15 apenas no último mês, o que reforça o impacto da ferramenta nas investigações.
Legislação e meta de chegar a 70% dos presos
Conforme explica Ciro Pimenta, mudanças na legislação ampliaram o número de condenados obrigados a fornecer material genético, incluindo quem cumpre pena em regime fechado, o que aumentou o universo de internos aptos a ter perfis no banco.
Atualmente, a população carcerária do Paraná é de cerca de 32 mil pessoas, e metade delas já teve material coletado. A Secretaria de Segurança Pública afirma que pretende intensificar os mutirões de coleta ao longo do ano para aumentar essa cobertura.
Na avaliação de Saulo Sanson, ampliar o banco de perfis genéticos é estratégico para a segurança pública. O secretário indica que a meta é alcançar ao menos 70% da população carcerária com material coletado até o fim do ano, o que, segundo ele, deve elevar ainda mais o número de delitos solucionados a partir de evidências biológicas.
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