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Paraná prevê safra recorde de grãos e mantém liderança em carnes

Deral projeta produtividade histórica no milho, expansão da cevada e 19º ano seguido de liderança nacional na produção de proteínas animais

Da redação
DA REDAÇÃO

27/03/2026 • 17:07 • Atualizado em 27/03/2026 • 17:07

Safra de verão da soja caminha para o fim com 82% já colhida no Paraná

Safra de verão da soja caminha para o fim com 82% já colhida no Paraná

Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

O Paraná caminha para encerrar a colheita da safra de verão 2025-2026 com perspectivas de produtividade elevada nos grãos e manutenção da liderança nacional na produção de carnes, de acordo com levantamentos divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento.

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Na soja, os técnicos do Deral estimam que 82% da área de 5,77 milhões de hectares já foi colhida, com produção projetada em 21,88 milhões de toneladas, conforme a Previsão Subjetiva de Safra (PSS).

Para o milho primeira safra, o analista do Deral Edmar Gervasio destaca o desempenho acima do padrão. Segundo ele, o Estado registra pela primeira vez em muitos anos um ganho de área nesse ciclo, com expansão de 25% em relação à temporada anterior, acompanhado de aumento de produtividade.

"Além desse ganho de área, tivemos aumento de produtividade, o que é, de certa forma, um pouco anormal, pois quando aumenta a área a tendência é uma média menor", explica Gervasio. Ele projeta que, mantidas as condições atuais, a colheita do milho de primeira safra pode chegar a 3,8 milhões de toneladas, com produtividade média acima de 11 mil quilos por hectare, superando o recorde anterior de 10,8 mil quilos por hectare.

Cevada cresce e trigo perde espaço no inverno

Com a proximidade dos plantios de inverno, o Deral aponta mudanças estratégicas na ocupação do solo. A cevada desponta impulsionada pela demanda das indústrias de malte e pela boa absorção da safra passada, e a área deve aumentar 14%, alcançando 118 mil hectares em 2026. Se a produtividade se mantiver, o Paraná pode ultrapassar meio milhão de toneladas do cereal.

Já o trigo tende a recuar 6% em área, abrindo espaço principalmente para o milho segunda safra. As aveias preta e branca também devem avançar, com crescimento estimado de 7% e 3% na área plantada, respectivamente, enquanto o feijão registra retração, em linha com preços menos atrativos neste momento. Na batata, a primeira safra está praticamente colhida e comercializada, com alta recente nos preços em função da qualidade do produto, e a segunda safra já se encontra em início de colheita.

Mel e caqui reforçam diversificação

O boletim do Deral também ressalta o desempenho do mel. No primeiro bimestre de 2026, o Paraná consolidou a vice-liderança nas exportações, com receita de US$ 2,387 milhões. O setor reagiu com otimismo à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou a sobretaxa de 50% sobre o produto brasileiro, fato que deve impulsionar os embarques a partir de abril.

Na fruticultura, a safra de caqui, concentrada entre março e junho, ganha força. Na última semana, o produtor paranaense recebeu em média R$ 5,77 por quilo, com tendência de acomodação de preços à medida que a colheita avança. Apesar dos desafios recentes, o Estado permanece como o quinto maior produtor nacional, com destaque para os núcleos regionais de Curitiba, Ponta Grossa, Apucarana e Cornélio Procópio, responsáveis por 72,3% do volume colhido.

Estado segue hegemônico em proteínas animais

No Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira, o Deral traça ainda um quadro de hegemonia na produção de proteínas animais. Com base na Pesquisa Trimestral do IBGE, o órgão aponta que 2025 consolidou marcas que projetam um 2026 tranquilo na liderança: o Paraná completa 19 anos consecutivos como maior produtor de carnes do país.

Na avicultura, o Estado respondeu por 34,4% do abate nacional em 2025, com quase 5 milhões de toneladas e 2,299 bilhões de cabeças abatidas, um recorde histórico. A suinocultura registrou o maior crescimento absoluto do país em volume, alcançando 1,226 milhão de toneladas, com aumento de 3,8% no peso médio dos animais, que chegou a 95,2 quilos.

A produção de tilápia segue relevante mesmo com a entrada de importações do Vietnã no mercado interno, enquanto a pecuária de leite atingiu 4,3 bilhões de litros entregues, um salto de 10% na produtividade anual. "O Paraná não apenas mantém o título de maior produtor de carnes do país por quase duas décadas, como demonstra uma capacidade de crescimento", afirma o engenheiro agrônomo e analista do Deral Carlos Hugo Godinho.

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