A Secretaria da Saúde do Paraná intensifica, neste mês de julho, a campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre as hepatites virais em todo o estado.
O objetivo é alertar para uma doença que atinge o fígado e pode se tornar grave, evoluindo em alguns casos para cirrose, câncer e até levar à morte.
História de paciente mostra desafio do diagnóstico
Durante a mobilização, pacientes como a psicóloga Letícia Cadore ajudam a ilustrar como a infecção pode passar despercebida.
Ela conta que não sabe onde contraiu a hepatite, já que nenhum familiar ou amigo recebeu o diagnóstico da doença.
"Os sintomas eram só dor de cabeça, dor no corpo e cansaço. Só no terceiro hospital desconfiaram que fosse hepatite", relata a psicóloga Letícia Cadore.
A experiência de Letícia evidencia que a hepatite pode ser confundida com outras doenças e que, na prática, o diagnóstico nem sempre é imediato.
Doença silenciosa e foco na prevenção
De acordo com a hepatologista Cláudia Ivantes, o diagnóstico das hepatites virais pode ser um desafio porque muitos pacientes não apresentam sintomas ou relatam apenas sinais leves, semelhantes aos de outras enfermidades comuns.
Na visão da especialista, por isso o foco das ações de saúde pública precisa estar na prevenção, com redução de riscos e informação à população.
Ela ressalta que, no caso da hepatite C, a principal recomendação é cuidar da esterilização de materiais cortantes, como alicates, lâminas e instrumentos utilizados em procedimentos estéticos ou de saúde.
Cláudia destaca ainda que há vacinas disponíveis para hepatite A e hepatite B.
Números da hepatite viral no Paraná
Entre 2020 e 2025, o Paraná registrou 11.659 casos de hepatite viral, conforme dados apresentados pela Secretaria da Saúde.
A hepatite B aparece como a forma mais comum, respondendo por 6.232 casos, o equivalente a 53,5% do total.
Já a hepatite C soma 4.428 registros, cerca de 38%, enquanto a hepatite A contabiliza 999 notificações, o que representa 8,6% dos casos no período.
·Casos totais: 11.659
·Hepatite B: 6.232 (53,5%)
·Hepatite C: 4.428 (38%)
·Hepatite A: 999 (8,6%)
No mesmo intervalo, o estado registrou 487 mortes relacionadas às hepatites, sendo que a hepatite C foi responsável por aproximadamente 77% desses óbitos.
A médica Daphne Morsoletto preside a Associação Paranaense de Hepatologia, que reúne especialistas dedicados ao estudo e ao tratamento das doenças do fígado no estado.
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