Os casos de violência doméstica contra mulheres seguem em patamar elevado no Paraná, com 54 feminicídios consumados e 84 tentativas registrados em 2026, enquanto milhares de medidas protetivas foram concedidas pelo Judiciário em 2025 e a Defensoria Pública reforça programas de acolhimento às vítimas.
Mesmo com relatos de leve queda nas ocorrências no início deste ano, o número de casos ainda preocupa autoridades e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres no estado.
Números de feminicídio ainda alarmam
No Paraná, os registros de 54 feminicídios e 84 tentativas em 2026 evidenciam a gravidade da violência de gênero. Cada caso representa uma situação extrema de agressão doméstica e familiar, que muitas vezes começa com ameaças e lesões e evolui para crimes letais.
Especialistas destacam que, mesmo quando a vítima consegue denunciar, romper o ciclo de violência e se afastar do agressor continua sendo um desafio, sobretudo em situações em que há dependência econômica ou filhos envolvidos.
A saída de uma relação abusiva costuma envolver riscos, medo de represálias e dificuldades materiais. Por isso, a Defensoria Pública do Paraná mantém programas específicos para acolher mulheres em situação de violência, oferecendo apoio jurídico e social.
Programa Ampara oferece acolhimento gratuito
Entre essas iniciativas está o programa Ampara, coordenado por Natália Marcondes Stephane. Segundo ela, o atendimento às vítimas de violência doméstica na Defensoria é totalmente gratuito e busca dar suporte para que a mulher consiga reconstruir a vida longe do agressor.
O programa auxilia no processo de divórcio, orienta sobre os direitos da vítima, apoia a recolocação no mercado de trabalho e pode intermediar auxílio para pagamento de um novo local para morar, distante do agressor. A proposta é reduzir a dependência financeira e ampliar a rede de proteção.
Dia estadual de combate ao feminicídio
O enfrentamento à violência contra a mulher também passa pela conscientização. No Paraná, o dia 22 de julho é o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, criado em memória de Tatiane Spitzner, assassinada pelo companheiro em 2018.
Na avaliação da juíza de direito substituta de 2º grau Luciane Ludovico, a data busca lembrar as vítimas de feminicídio, sensibilizar a sociedade para a gravidade da violência e divulgar às mulheres os caminhos para denunciar agressões e pedir ajuda.
A magistrada ressalta que informar os canais de denúncia e os serviços de apoio é fundamental para que mais mulheres se sintam seguras para romper o silêncio e acessar mecanismos como medidas protetivas e programas de acolhimento.
Formas de denunciar e buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem procurar a Defensoria Pública, delegacias da mulher, unidades da Polícia Civil e da Polícia Militar, além de acionar a rede de atendimento por telefone, como o Ligue 180 e o 190 em casos de emergência.
As autoridades reforçam que qualquer pessoa pode denunciar suspeitas de agressão e que as medidas protetivas existem para afastar o agressor e dar condições para que a vítima inicie um novo ciclo de vida com mais segurança.
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