Representantes de todas as forças de segurança do Paraná se reuniram nesta quarta-feira, em Curitiba, para discutir políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, após a Secretaria de Segurança Pública registrar mais de 13 mil casos de violência doméstica contra mulheres apenas em 2026.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), o estado já soma mais de 13 mil ocorrências de violência doméstica contra mulheres neste ano. Em 2025, a pasta contabilizou 87 feminicídios, o que mantém o tema entre as principais preocupações das autoridades.
Os registros se espalham por diferentes regiões. Em Fazenda Rio Grande, na semana passada, uma câmera de segurança flagrou o momento em que um homem jogou o carro contra uma mulher no meio da rua; segundo a polícia, ele é ex-marido da vítima. Na Cidade Industrial de Curitiba, outra ocorrência envolveu uma mãe que agrediu o genro para defender a filha, que estava sendo espancada.
No fim de semana, uma jovem foi perseguida e arrastada por um homem para uma área de mata na região do Pinheirinho, em Curitiba. Policiais conseguiram interromper o ataque e conter o agressor, caso que se soma a outros tipos de violência registrados diariamente no estado.
Forças de segurança discutem respostas imediatas
A realidade desses casos pautou o encontro realizado na capital, que reuniu representantes da Polícia Militar, da Polícia Civil e de outros órgãos ligados à Sesp. O objetivo foi alinhar ações de prevenção e definir mecanismos práticos de resposta rápida às denúncias.
Chefe do Centro de Políticas de Proteção e coordenador do Programa Mulher Segura, o tenente-coronel Cleverson Rodrigues Machado explica que as medidas precisam ser adotadas de forma imediata, desde o primeiro contato com a vítima, para evitar a escalada da violência e novos episódios.
A Sesp afirma que, além de reforçar a prevenção, o plano prevê aprimorar o atendimento às vítimas, que muitas vezes têm medo de denunciar os agressores. Por isso, a pasta investe na preparação dos agentes de segurança para lidar com situações de violência de gênero.
Ainda de acordo com o tenente-coronel Machado, até o fim do ano todos os policiais do Paraná deverão passar por curso obrigatório voltado ao atendimento de mulheres em situação de violência, com foco na identificação de risco, acolhimento e encaminhamento aos serviços de proteção.
Álcool, drogas e prevenção
Um levantamento da Sesp aponta que o enfrentamento à violência contra a mulher também passa pelo combate ao uso excessivo de álcool e outras drogas, frequentemente associado às agressões.
Coordenador do Centro de Políticas sobre Drogas, Renato Figueiroa relata que mais da metade dos casos de violência contra mulheres no estado envolve o consumo de substâncias psicoativas. O levantamento indica que o combate ao uso abusivo de álcool e drogas precisa integrar as ações de segurança voltadas à proteção das mulheres.
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