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PF e Anvisa fazem operação contra canetas emagrecedoras ilegais

Operação Heavy Pen cumpre mandados em 11 estados para coibir falsificação e comércio clandestino de remédios para emagrecer

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

07/04/2026 • 14:25 • Atualizado em 07/04/2026 • 14:25

A Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deflagraram nesta terça-feira (7) a Operação Heavy Pen para reprimir a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de medicamentos e insumos farmacêuticos destinados ao emagrecimento em 11 estados do país.

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Mandados e alvos da Heavy Pen

Em nota, a PF informou que a operação mira grupos envolvidos em toda a cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias injetáveis voltadas ao emagrecimento.

'A ação tem como foco o enfrentamento de grupos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias de uso injetável', informou a PF no comunicado.

Ao todo, agentes cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 24 ações de fiscalização nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.

As equipes fiscalizam laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que, segundo a PF, atuam à margem da regulação sanitária, com produção, fracionamento ou comercialização de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida.

De acordo com a corporação, as condutas investigadas podem configurar crimes relacionados à falsificação e à comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando.

Foco em semaglutida, tirzepatida e novas moléculas

As ações se concentram em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados em tratamentos para obesidade, além de substâncias correlatas, como a retatrutida, que ainda não tem autorização para comercialização no Brasil.

Esses medicamentos, em geral aplicados por canetas injetáveis, ganharam popularidade ao combinar controle glicêmico e perda de peso, o que elevou a procura e abriu espaço para a oferta irregular em redes sociais, consultórios e clínicas.

Para a PF, a operação busca interromper o fornecimento clandestino desses produtos e reduzir riscos à saúde de pacientes que recorrem a fórmulas de procedência desconhecida e sem acompanhamento adequado.

Apreensões disparam em dois anos

Dados da corporação mostram que as apreensões de medicamentos emagrecedores cresceram de forma acentuada nos últimos anos. O volume passou de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025 e já alcançou 54.577 unidades até março de 2026.

Na avaliação dos investigadores, o aumento nas apreensões reflete tanto a expansão do mercado ilegal de canetas emagrecedoras quanto o reforço das ações de fiscalização em portos, aeroportos, fronteiras terrestres e estabelecimentos de saúde.

Anvisa amplia fiscalização de canetas emagrecedoras

Paralelamente à Operação Heavy Pen, a Anvisa anunciou nesta semana novas medidas para prevenir riscos e reforçar o controle sanitário de medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

O plano inclui ações específicas para combater irregularidades na importação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e na manipulação dos ativos de semaglutida, tirzepatida e liraglutida por farmácias de manipulação.

Segundo a agência, o volume de insumos importados para a manipulação das canetas emagrecedoras está incompatível com o tamanho do mercado nacional. Somente no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de IFAs, quantidade suficiente para a preparação de cerca de 25 milhões de doses.