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Polícia descarta feminicídio em caso de recepcionista agredida

Inquérito sobre ataque filmado em hotel de Curitiba segue como tentativa de homicídio e vai ao MP-PR

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

11/03/2026 • 14:38 • Atualizado em 11/03/2026 • 14:38

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) concluiu nesta terça-feira (10) o inquérito sobre as agressões contra a recepcionista Maria Niuzete Batista, 55 anos, em um hotel de Curitiba, e manteve o enquadramento do caso como tentativa de homicídio qualificado, sem incluir a qualificadora de feminicídio pedida pela defesa.

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Inquérito mantém acusação de tentativa de homicídio

De acordo com a corporação, o procedimento foi finalizado e enviado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) e ao Poder Judiciário como tentativa de homicídio, com as qualificadoras de motivo fútil e emboscada. O crime ocorreu na madrugada de 7 de março e foi registrado pelas câmeras de segurança do hotel.

O suspeito, o hóspede Jhonatan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, foi preso em flagrante logo após o ataque e teve a prisão convertida em preventiva. Em audiência de custódia, ele alegou que estava sob efeito de drogas e álcool quando agrediu a funcionária.

Em nota, a PC-PR afirmou que a tipificação penal foi definida “com base nas informações preliminares disponíveis no momento do flagrante” e que o inquérito já foi relatado e encaminhado para análise da Justiça e do Ministério Público.

Defesa quer feminicídio e investigação de estupro

A defesa de Maria Niuzete contesta a conclusão do inquérito e defende que Jhonatan responda por tentativa de feminicídio, por entender que o ataque teve motivação de gênero e ocorreu enquanto ela trabalhava sozinha na recepção.

Os advogados da vítima também sustentam que houve tentativa de estupro antes das agressões mais graves, versão que, segundo eles, é compatível com o relato de Maria e com as imagens internas do hotel. Essa hipótese, porém, não foi incluída pela polícia no inquérito encaminhado ao MP-PR.

Conforme a nota da corporação, “a tipificação penal poderá ser reavaliada no curso do processo, a partir de novas informações e demais elementos colhidos ao longo da apuração”. Caberá agora ao Ministério Público decidir se oferece denúncia nos termos do inquérito ou se pede nova qualificação do crime.

Câmeras registram sequência de agressões no hotel

As imagens de circuito interno mostram a movimentação no balcão da recepção pouco antes do crime. Enquanto Maria anota dados em um papel, o hóspede bebe água. Em seguida, a funcionária deixa o balcão e segue para uma área interna, onde fica o banheiro.

Logo depois, o homem mexe no celular, contorna o balcão e chega a pular a estrutura para ir atrás da vítima. Por volta das 5h03, é possível ouvir barulhos fortes e gritos vindos da parte interna. Minutos mais tarde, a recepcionista pede socorro em alta voz.

As câmeras registram ainda o momento em que Jhonatan pega o telefone da recepção e aparenta fazer uma ligação, enquanto a vítima agoniza ao fundo. Em outra sequência, Maria tenta fugir, mas é novamente agredida e volta a pedir ajuda, caída no chão.

As agressões só terminam quando ela consegue sair do prédio e pedir ajuda do lado de fora. A partir daí, a polícia foi acionada e ele acabou preso em flagrante; desde então, permanece detido enquanto o caso segue para análise do Ministério Público e da Justiça.