As tradições que preservam a história e a identidade das comunidades caiçaras são o foco do novo episódio do programa Nosso Litoral, que percorre cidades do Litoral do Paraná para mostrar costumes, sabores e manifestações culturais transmitidos entre gerações.
Patrimônio vai além de igrejas e casarões
A edição destaca que o conceito de patrimônio cultural não se limita a construções, igrejas e casarões históricos. Festas, danças, receitas e técnicas de produção também podem representar a memória de uma comunidade e ser reconhecidas como patrimônio cultural imaterial.
Durante o programa, a historiadora Kalani Pampuch, mestre em História e integrante da Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná, explica que o processo de reconhecimento leva em conta a relevância da manifestação para a comunidade, a continuidade ao longo do tempo e as ações necessárias para garantir a transmissão do conhecimento às novas gerações.
Fandango fortalece identidade caiçara
Entre as manifestações apresentadas está o fandango caiçara, expressão cultural que reúne música, dança e convivência comunitária. A tradição é uma das mais conhecidas do Litoral paranaense e permanece ativa graças a grupos, mestres e famílias que preservam ritmos, instrumentos e modos de dançar.
Segundo o programa, o fandango funciona como espaço de encontro e reforça a identidade caiçara, ao reunir diferentes gerações em torno de repertórios e práticas que fazem parte do cotidiano das comunidades.
Morretes, sabores e memória
A cidade de Morretes aparece como um dos centros de preservação da memória cultural do Litoral. Além do patrimônio histórico, o município reúne costumes, produtos e receitas que se tornaram símbolos do Paraná.
O superintendente da Secretaria de Cultura e Turismo de Morretes, Mário Pavanelli, apresenta parte dessa trajetória e destaca a relação entre cultura, turismo e identidade regional. Para ele, tradições mantidas por moradores e empreendedores ajudam a fortalecer a economia local e a atrair visitantes.
Barreado, bala de banana e ostras em destaque
Entre os patrimônios gastronômicos abordados está o barreado, prato preparado lentamente e ligado às celebrações das comunidades do Litoral. De acordo com o programa, a receita se consolidou como uma das principais marcas da culinária paranaense e se tornou atração para turistas.
O representante do Convention Bureau e da associação de empresários do turismo de Morretes, João Matsumoto, apresenta diferentes versões sobre a origem do barreado e ressalta como o prato se transformou em símbolo da culinária caiçara.
Outra tradição destacada é a bala de banana, doce produzido há décadas no Litoral e que conquistou consumidores em diversas regiões do país. O programa mostra que, além de produto típico, o doce representa o trabalho de famílias, a geração de renda e a memória afetiva de moradores e visitantes.
Em Guaratuba, o episódio apresenta o cultivo, o manejo e o preparo das ostras de Cabaraquara, atividade construída ao longo dos anos e hoje reconhecida por projeto aprovado pela Assembleia Legislativa do Paraná como patrimônio cultural imaterial do Estado.
O secretário municipal da Agricultura de Guaratuba, Dagoberto da Silva, explica que a produção de ostras é fonte de renda para famílias da comunidade e movimenta o turismo gastronômico, ao mesmo tempo em que preserva saberes tradicionais.
Tradições que mantêm viva a cultura do Litoral
Ao reunir fandango, barreado, bala de banana e ostras de Cabaraquara, o programa Nosso Litoral mostra como diferentes manifestações ajudam a contar a história do Litoral do Paraná.
Segundo o programa, músicos, cozinheiros, produtores, pescadores, agricultores e famílias mantêm vivas as tradições caiçaras no dia a dia, em práticas que reforçam a identidade regional e aproximam moradores e visitantes das paisagens e dos personagens da faixa litorânea.
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