A torta Martha Rocha, criada em Curitiba em 1954 em homenagem à primeira Miss Brasil, inspira um festival exclusivo entre 4 e 15 de março de 2026, quando 22 confeitarias da capital paranaense venderão fatias do doce a R$ 19,50, após o reconhecimento do bolo como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná.
Festival celebra patrimônio curitibano
Um dos doces mais tradicionais da cidade recebeu em fevereiro de 2026 o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná. A Assembleia Legislativa aprovou o projeto de lei nº 924/2025, de autoria do deputado estadual Hussein Bakri (PSD), que reconhece o valor histórico, cultural e gastronômico da receita.
O reconhecimento oficial reforça o lugar da torta no imaginário curitibano. Presente em aniversários, casamentos e outras celebrações, o bolo se consolidou como símbolo afetivo da confeitaria local e atravessou gerações.
Para marcar essa história, Curitiba recebe de 4 a 15 de março de 2026 o Festival Martha Rocha. Ao longo do evento, 22 confeitarias participantes oferecerão fatias da torta ao preço único de R$ 19,50.
Como surgiu a torta Martha Rocha
A receita nasceu em 1954 na Confeitaria das Famílias, no calçadão da Rua XV de Novembro, em Curitiba. A confeiteira Dair da Costa Terzado, proprietária da casa, criou o bolo como homenagem à baiana Maria Martha Hacker Rocha, recém-eleita Miss Brasil.
A sobremesa se espalhou pelas mesas de festas da cidade, passou a identificar confeitarias curitibanas e, com o tempo, ganhou o país como uma das receitas clássicas da confeitaria paranaense.
Quem foi Martha Rocha
Nascida na Bahia, Maria Martha Hacker Rocha entrou para a história ao se tornar a primeira vencedora do concurso Miss Brasil, em 1954. Antes do título nacional, ela havia sido eleita Miss Bahia.
A final de Miss Brasil aconteceu no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Ainda em 1954, Martha representou o país no Miss Universo, disputado nos Estados Unidos, e terminou em segundo lugar.
A história das duas polegadas
Uma das versões que circularam na época do concurso de Miss Universo dizia que Martha perdeu a coroa por ter duas polegadas a mais de quadril em relação à rival norte-americana. A diferença nas medidas teria pesado na decisão dos jurados.
A narrativa nunca foi confirmada oficialmente, mas virou parte da cultura popular brasileira e ajudou a alimentar o mito em torno da Miss, mantendo seu nome em evidência décadas após o concurso.
Ícone de gerações e legado
Para a ex-Miss Brasil 1986 Deise Nunes, Martha Rocha sempre foi um símbolo importante para as candidatas que passaram pelos concursos de beleza. Na visão de Deise, a baiana reunia carisma, personalidade forte e a lembrança de quase ter conquistado o título de Miss Universo em 1954.
Martha Rocha morreu em 4 de julho de 2020, aos 83 anos, em Niterói, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações de um enfisema pulmonar. Mais de meio século após seu auge nos concursos, o nome da Miss segue vivo na memória dos brasileiros e nas vitrines das confeitarias curitibanas, agora reforçado pelo título de patrimônio cultural e pelo festival que celebra o bolo criado em sua homenagem.
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