Criada em 2018, a rede integrada de proteção à mulher de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, já atendeu 7 mil vítimas de violência doméstica apenas no primeiro semestre deste ano e atua para interromper o ciclo de agressões, oferecendo mais segurança e autonomia às sobreviventes.
O atendimento começa no Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM), onde psicólogos e assistentes sociais acolhem as vítimas, escutam os relatos e orientam os próximos passos para que elas possam romper com a violência e reorganizar a própria vida.
Os números chamam a atenção: além do volume de atendimentos, desde que a rede foi implantada, em 2018, nenhuma mulher que passou pelo serviço em Araucária morreu vítima de feminicídio, segundo a coordenação do projeto.
Casos de violência contra a mulher costumam durar anos e envolver dependência emocional, financeira e medo de represálias, o que dificulta a decisão de denunciar. Em Araucária, a estrutura integrada busca reduzir esses obstáculos e garantir que a vítima encontre apoio especializado em um único fluxo de atendimento.
História de Cilmara mostra impacto do atendimento
A professora Cilmara Aparecida de Mello viveu 21 anos em um casamento que, segundo ela, se transformou em uma rotina de agressões. Há seis anos, decidiu fugir de casa com os dois filhos e procurar ajuda, movimento que ela descreve como decisivo para seguir viva.
"Eu sentia vergonha, era taxada de louca e nem a minha família me apoiava", relata Cilmara Aparecida de Mello.
Longe do agressor, ela mudou de cidade e, em Araucária, buscou atendimento no CRAM. Lá, recebeu apoio psicológico e social, foi orientada sobre seus direitos e conseguiu uma medida protetiva contra o ex-companheiro, o que permitiu reconstruir a rotina ao lado dos filhos.
Atendimento individualizado e incentivo à busca por ajuda
Para Simone Vicenti, coordenadora do CRAM, cada caso exige uma estratégia própria. Ela explica que a equipe procura ouvir e analisar o contexto de cada mulher para definir quais encaminhamentos e proteções são necessários.
"Cada situação é única e todas recebem a atenção adequada para que possamos agir conforme a necessidade de cada mulher", afirma Simone Vicenti.
A coordenadora ressalta que o primeiro passo é romper o isolamento e procurar apoio. Na visão dela, o resultado de nenhum feminicídio entre as atendidas desde 2018 mostra que a procura rápida por ajuda pode fazer diferença na proteção das vítimas.
"Pedir ajuda é fundamental para que ela não permaneça sozinha e sem apoio", pontua Vicenti.
Cilmara hoje usa a própria história para incentivar outras mulheres a romper com relações abusivas e buscar apoio na rede de proteção. "Toda mulher deve olhar no espelho e se escolher", conclui a professora, ao defender que a decisão de sair da violência precisa partir da própria vítima, apoiada por serviços especializados.
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