O Band Entrevista deste sábado (13) recebeu Requião Filho, pré-candidato do PDT ao Governo do Paraná. Durante cerca de meia hora de conversa, ele apresentou as razões para entrar na disputa e falou sobre segurança pública, educação, infraestrutura, pedágio, agronegócio e desenvolvimento do interior.
A entrevista foi conduzida pelos jornalistas José Wille e João Azevedo e faz parte da série do programa com os pré-candidatos ao Palácio Iguaçu.
Requião Filho afirmou que decidiu colocar o nome à disposição do partido por considerar que o debate eleitoral estava concentrado em alianças e grupos políticos, sem atenção suficiente a temas como emprego, saúde e impostos.
“Tem o Estado, tem um povo, tem uma necessidade, tem problemas, tem soluções, tem coisa boa acontecendo, tem coisa ruim acontecendo e ninguém quer discutir o Paraná”, afirmou.
Pré-candidato defende Estado voltado às pessoas
Ao explicar o eixo de uma eventual candidatura, Requião Filho disse que pretende construir um programa com foco nas necessidades da população.
Segundo ele, o atual governo prioriza indicadores, obras e interesses econômicos, mas deixa em segundo plano os profissionais que atuam nos serviços públicos.
“O que resume é que nós estamos propondo um Estado com a mão forte, que cuide de pessoas, não de grupos econômicos”, declarou.
O pré-candidato também associou o sobrenome à trajetória política do pai, o ex-governador Roberto Requião. Ele citou programas adotados em gestões anteriores, como Leite das Crianças e Trator Solidário, além de políticas voltadas a pequenos empresários e tarifas públicas.
Segurança pública e condições dos policiais
Na área da segurança, Requião Filho defendeu a contratação de novos policiais, a valorização das carreiras e melhores condições de trabalho.
Ele afirmou que investimentos em viaturas e equipamentos precisam ser acompanhados pelo aumento do efetivo e por políticas de atenção à saúde dos profissionais.
O pré-candidato também citou os índices de violência em Paranaguá e disse que o Estado precisa ampliar a presença das forças de segurança nos municípios com maior número de ocorrências.
Educação precisa investir em profissionais, diz Requião
Requião Filho criticou a contratação de professores temporários e afirmou que a qualidade da educação não pode ser medida apenas por índices.
Para ele, a prioridade deve ser a formação e a valorização de professores, pedagogos, servidores administrativos e demais trabalhadores das escolas.
“Educação de verdade é investir em educadores, porque, do portão da escola para dentro, todo mundo é educador”, disse.
O pré-candidato também defendeu a retomada de cursos técnicos, principalmente no interior, para que os estudantes concluam a formação básica mais preparados para o mercado de trabalho.
Interior precisa de hospitais, estradas e empregos
Durante a entrevista, Requião Filho afirmou que o interior do Paraná ainda enfrenta falta de hospitais, escolas, estradas, infraestrutura e oportunidades de emprego.
Segundo ele, os investimentos estaduais precisam considerar as necessidades de cada município, e não apenas a quantidade de eleitores alcançados por determinada obra.
“Existem fazendas incríveis, existe esse agro maravilhoso, existem cooperativas que são modelos para o mundo, mas existe o interior que não tem escola, hospital, estrada, acesso e emprego”, afirmou.
Como proposta, ele defendeu maior integração entre universidades estaduais, empresas e municípios para levar tecnologia e industrialização a diferentes regiões do Paraná.
Pedágio e logística entram no debate
Requião Filho também criticou o atual modelo de concessões rodoviárias. Ele afirmou que o governo estadual deve aumentar a fiscalização sobre o cumprimento dos contratos, os prazos das obras e os valores cobrados dos motoristas.
O pré-candidato ainda defendeu investimentos em ferrovias como alternativa para reduzir os custos logísticos do agronegócio e da indústria.
Segundo ele, a ampliação da malha ferroviária poderia facilitar o transporte de mercadorias até o Porto de Paranaguá e diminuir os custos de importação e exportação.
Fim da escala 6x1 com período de transição
Questionado sobre a escala de trabalho 6x1, Requião Filho declarou apoio ao fim do modelo, mas defendeu uma transição para pequenos negócios.
Ele afirmou que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar o tempo de convivência com a família. Por outro lado, avaliou que pequenos comércios e indústrias podem precisar de incentivos fiscais durante a adaptação.
“Para a gente ter emprego, tem que ter empresa e indústria. Temos que criar condições para que essa transição aconteça sem quebrar o pequeno”, afirmou.
Propostas para o agronegócio
Ao falar sobre o setor rural, o pré-candidato defendeu a redução dos custos de produção, acesso ao crédito, energia mais barata e a retomada de programas de mecanização para pequenos agricultores.
Requião Filho também sugeriu a criação de um seguro para proteger produtores de perdas provocadas por problemas climáticos e citou a logística e os pedágios como fatores que afetam o preço da produção.
A íntegra da entrevista com Requião Filho está disponível nos canais digitais da Band Paraná.
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