Meteorologistas do Simepar confirmaram que o fenômeno que atingiu a comunidade de Imbu, em Reserva, na região dos Campos Gerais do Paraná, no último domingo, foi um tornado classificado como F2 na escala internacional de intensidade.
A confirmação ocorreu após vistoria técnica realizada nos últimos dias na área afetada. Os especialistas analisaram o padrão de destruição, a trajetória do vento e outros indicadores para definir a categoria do evento.
De acordo com a Defesa Civil municipal, o tornado destruiu 11 casas e arrancou árvores inteiras ao longo do percurso. Apesar da força dos ventos, que provocaram danos estruturais e interrupção de serviços, ninguém ficou ferido.
Ao todo, 10 famílias precisaram deixar suas residências e foram alojadas em casas de parentes e amigos na própria região, enquanto o poder público organiza ações de assistência e recuperação.
Seis tornados em menos de um ano
O episódio em Reserva é o sexto tornado registrado no Paraná desde novembro do ano passado, segundo dados meteorológicos. A recorrência chama a atenção de autoridades e especialistas.
Em novembro, um tornado devastou cerca de 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu. Na ocasião, o fenômeno foi classificado como F4, em uma escala que vai até 5, e deixou sete mortos. Os ventos chegaram próximos aos 400 quilômetros por hora.
Já em janeiro, outro evento semelhante provocou destruição em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Moradores relataram destelhamentos, quedas de postes e danos em ampla área urbana.
Casas destruídas e rotina interrompida
Em Reserva, moradores da comunidade de Imbu relataram que tudo aconteceu em poucos minutos, com forte ruído e objetos projetados a distância. A Defesa Civil percorreu a região para registrar os estragos e orientar a população.
Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, Adjalma Alves de Oliveira, a situação não tinha precedentes na cidade. Ele afirma que "foi algo inédito na região e só conseguimos ter a dimensão do problema na manhã seguinte", quando as equipes visualizaram o rastro deixado pelo tornado.
Na visão de Oliveira, o trabalho agora se concentra em garantir abrigo às famílias, restabelecer serviços básicos e apoiar a reconstrução das residências atingidas, em parceria com o poder público estadual.
Estado em corredor de tornados
Meteorologistas explicam que o Paraná está inserido no segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas da região central dos Estados Unidos. A localização do estado favorece a formação de tempestades severas.
Essa faixa de maior risco engloba os três estados do Sul e se estende até Mato Grosso do Sul, em uma área onde correntes de ar seco, úmido e frio se encontram com frequência, criando condições para nuvens muito profundas.
Conforme aponta o meteorologista Guilherme Borges, "os ventos vêm da Amazônia para o Sul e se encontram com massas de ar do extremo Sul do continente. Essa confluência de ventos, associada a nuvens supercelulares, favorece a formação de tornados nessa região".
Aquecimento global e El Niño elevam o risco
A preocupação de especialistas é com o que ainda pode ocorrer nos próximos meses. Para eles, o aquecimento do planeta e a atuação do fenômeno El Niño tendem a aumentar a frequência de episódios como o registrado em Reserva, especialmente durante a primavera.
Borges explica que o El Niño intensifica o transporte de umidade para a região Sul. Segundo ele, "esse reforço de umidade combinado com o aquecimento global pode trazer mais eventos de tempestades severas, incluindo novos tornados", o que exige monitoramento constante e preparo das defesas civis municipais.
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