
Venda de soja impulsionou a balança comercial do Paraná no primeiro quadrimestre
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, divulgado nesta quinta-feira (21), aponta que a soja consolidou no primeiro quadrimestre de 2026 o melhor desempenho comercial entre os produtos do campo do Estado.
Soja leva exportações a novo patamar
Segundo o documento, o complexo soja, que reúne grão, farelo e óleo, embarcou mais de 5,3 milhões de toneladas entre janeiro e abril, aumento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço logístico elevou o faturamento do Paraná com a cadeia para US$ 2,3 bilhões na balança comercial, alta de 10,6% na comparação anual.
A China respondeu por 59% do volume exportado pelo Estado, seguida por Irã, com 6%, e Vietnã, com 5%. Nos quatro primeiros meses de 2026, o Paraná enviou algum item do complexo soja, ainda que em pequenos volumes, para 43 países.
No conjunto da economia, as exportações paranaenses somaram US$ 7,54 bilhões no quadrimestre, sexto maior resultado do país e o maior da região Sul.
Geadas exigem atenção ao milho
O Deral indica que a segunda safra de milho demanda cautela por causa das variações climáticas recentes. As primeiras geadas registradas no Estado provocaram danos pontuais em lavouras, sobretudo na região Sul.
O boletim mostra que a proporção de áreas em boas condições recuou de 84% para 82%. As lavouras em situação regular passaram a 13% e aquelas classificadas como ruins subiram de 4% para 5% da área total.
"Apesar de alguns produtores relatarem perdas, as condições gerais da produção do Estado como um todo, por enquanto, não sofreu perdas significativas. Isso porque o cultivo está concentrado nas regiões Norte e Oeste paranaenses, onde, ao contrário da região Sul, os efeitos climáticos como o das geadas não aparecem", explica o analista do Deral Edmar Gervasio.
De acordo com o departamento, a região Norte concentra cerca de 35,7% da área total de milho, pouco mais de 1 milhão de hectares, enquanto o Oeste reúne aproximadamente 933 mil hectares.
Carne bovina e frango sentem pressão de custos
No segmento de proteína animal, o boletim registra crescimento de 15% nas exportações nacionais de carne bovina no primeiro quadrimestre.
A maior oferta interna de animais para abate, porém, pressiona as cotações, mantendo a arroba em queda de 2,72% no mês, negociada em média a 343 reais no Paraná.
O Deral ressalta a necessidade de atenção com o tempo frio, que compromete as pastagens e pode influenciar a precificação ao elevar o custo ao produtor.
Na avicultura, o preço nominal médio pago pelo frango vivo ao produtor em abril fechou em 4,62 reais por quilo, abaixo do custo médio de produção da ave, estimado em 4,70 reais por quilo.
O boletim atribui a pressão financeira à alta de insumos básicos da nutrição animal, como o milho no atacado, cotado em 63,58 reais por saca de 60 quilos, e o farelo de soja, a 1.885,50 reais por tonelada.
Acerola ganha espaço na agricultura familiar
Entre as frutas, a acerola se destaca ao movimentar 13,2 milhões de reais em Valor Bruto da Produção no Paraná.
A região de Cianorte desponta como principal polo produtor, responsável por 48% do VBP da fruta no Estado.
Distribuída por 81 municípios, com colheita de 3,1 mil toneladas em 264 hectares, a cultura tem forte presença da agricultura familiar.
Segundo o Deral, o cultivo da acerola paranaense se fortalece no mercado de orgânicos e na transformação agroindustrial em polpas, impulsionado por cooperativas e empresas locais que já acessam mercados internacionais, inclusive por meio de traders.
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