Band Paraná

Veja como foi a paralização dos motoristas de aplicativo

Protesto reúne 70% dos condutores na capital e mira revisão de texto com corrida mínima de R$ 8,50, retirado de pauta após pressão da categoria

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

14/04/2026 • 14:07 • Atualizado em 14/04/2026 • 14:07

Motoristas de aplicativo realizaram uma paralisação nesta terça-feira, em Curitiba, para protestar contra um projeto de lei que regulamenta os serviços de transporte e entrega por plataformas digitais, retirado de pauta em Brasília após pressão da categoria, que manteve o ato e as reivindicações.

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Na capital paranaense, a concentração começou no Parque Barigui e seguiu em carreata até o Centro Cívico. Organizadores estimam que cerca de 70% dos condutores de Curitiba e região metropolitana aderiram à paralisação, muitos deixando os aplicativos desligados durante todo o dia.

Segundo Sérgio Guerra, presidente do Grupo Guerra, cerca de 45 mil motoristas atuam por aplicativos na região. Ele afirma que uma parte significativa optou por nem sair de casa, em apoio ao movimento, para demonstrar descontentamento com a proposta em discussão em Brasília.

Corrida mínima de R$ 8,50 é alvo de críticas

O projeto de lei contestado tramita desde o ano passado e estabelece regras para o funcionamento de serviços de transporte de passageiros e entregas intermediados por plataformas. A proposta estava prevista para votação nesta semana, mas o relator pediu a retirada de pauta.

Entre os pontos mais criticados pelos motoristas está a previsão de uma corrida mínima de R$ 8,50. Representantes da categoria consideram o valor insuficiente diante dos custos com combustível, manutenção dos veículos e tempo de espera, e defendem uma tarifa inicial de ao menos R$ 10.

Na avaliação de Sérgio Guerra, a paralisação em diversas cidades e a mobilização nas redes sociais ajudaram a adiar a análise do texto. Ele ressalta, porém, que o objetivo é avançar nas negociações para elevar o valor mínimo por corrida e incluir outras garantias para os trabalhadores de aplicativo.

Atos se espalham e debate deve incluir categoria

Além de Curitiba, manifestações semelhantes ocorreram em outras cidades do país, em um esforço coordenado de motoristas para pressionar o Congresso a rever pontos considerados sensíveis da proposta de regulamentação.

Para o advogado trabalhista Rafael Humberto Galle, o texto atual do projeto ainda deixa dúvidas sobre a proteção oferecida aos condutores. Ele aponta falta de garantias claras quanto às condições mínimas de remuneração e à segurança jurídica da relação com as plataformas.

Segundo Galle, é necessário retomar as discussões com maior participação direta dos motoristas e das empresas de aplicativo. Ele defende que qualquer regulamentação só avance após um acordo que concilie regras para o setor e mecanismos de proteção aos trabalhadores.