Band Paraná

Vereadora de Curitiba é denunciada ao MP por suposta xenofobia

Parlamentar do PL diz 'volta para o Ceará' a colega nordestina durante sessão transmitida ao vivo

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

06/08/2026 • 14:04 • Atualizado em 06/08/2026 • 14:44

O Partido dos Trabalhadores denunciou ao Ministério Público Federal a vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL), de Curitiba, por suposta xenofobia, após ela dizer "volta para o Ceará" à colega Vanda de Assis (PT) durante sessão na Câmara Municipal, na noite de ontem.

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O episódio ocorreu no plenário, em meio à discussão de um projeto que cria um cadastro de pessoas em situação de rua na capital paranaense. Vanda de Assis se manifestava na tribuna e cedeu parte do tempo de fala para Tathiana Guzella, que mencionou o estado de origem da petista, nascida no Ceará.

A transmissão ao vivo da sessão registrou o momento em que a parlamentar do PL diz "volta para o Ceará" dirigindo-se à colega. A fala gerou reação imediata da bancada do PT, que decidiu formalizar a representação por entender que houve ataque discriminatório contra nordestinos.

Reação da vereadora alvo da frase

Segundo Vanda de Assis, o comentário dentro da Câmara não pode ser banalizado. "É uma situação absurda e inadmissível dentro da Casa", afirma a vereadora do PT, ao destacar que a capital acolhe moradores de diversas regiões do país.

Na visão da parlamentar, a fala da colega desrespeita quem deixou seu estado de origem para viver em Curitiba. "Curitiba é uma cidade que recebe infinitas pessoas de fora, e me indigna pensar que a delegada, quando estava na polícia, atendeu essas pessoas e, agora, manda uma nordestina voltar para o seu estado", critica.

Ela avalia que o caso exige resposta institucional. "Eu preciso de uma resposta em nome de todas as pessoas que são de fora e estão aqui", acrescenta Vanda de Assis, ao defender que a Câmara se posicione e assegure respeito às diferenças regionais.

Denúncia ao MPF e possíveis desdobramentos

Conforme informa o mandato da petista, a denúncia já foi protocolada junto ao Ministério Público Federal, que deve apurar se houve prática de xenofobia. Há expectativa de abertura de representações internas na Câmara de Curitiba, com pedidos de responsabilização de Tathiana Guzella.

No Brasil, manifestações discriminatórias contra pessoas em razão de sua origem regional podem ser enquadradas em legislação que pune atos de preconceito. Cabe ao Ministério Público analisar o caso concreto e decidir se apresenta ou não ação judicial.

Tathiana Guzella não quis conceder entrevista sobre o episódio. Em nota, ela afirmou que teve a fala interrompida antes de concluir o raciocínio e que sua declaração foi interpretada fora de contexto. A vereadora disse ainda que tinha objetivo estritamente político ao mencionar o estado de origem da colega, sem atribuir juízo de valor.

A Câmara Municipal de Curitiba não se manifestou oficialmente sobre o caso até o momento. A expectativa é que o episódio seja analisado pelos colegiados competentes após a apuração do Ministério Público.