
No Ritmo Dela: Quando o barulho do mundo tenta calar a nossa essência
Arquivo pessoal
Tem semanas em que ser mulher 40+ parece um mergulho em várias vidas ao mesmo tempo. A gente acorda mãe, profissional, filha, amiga, parceira, referência… e vai tentando equilibrar sentimentos que quase nunca cabem numa rotina organizada. E talvez seja isso que mais nos conecte: a intensidade.
Esta semana eu pensei em falar sobre relacionamentos abusivos. Sobre como, muitas vezes, sem perceber, a gente busca no novo alguém traços do que juramos nunca mais viver. São ciclos emocionais que se repetem silenciosamente. Mas eu percebi que existe algo ainda mais urgente me atravessando: a forma como estamos nos comunicando: com os outros, com nossos filhos e principalmente com nós mesmas.
Tenho pensado muito na relação com os meus filhos. Na linha tão fina entre educar e sufocar; entre proteger e frustrar; entre tentar mostrar o caminho e entender que talvez aquele caminho ainda não faça sentido pra eles, agora. Ser mãe é aceitar que amor não é controle.
No meio de tanta turbulência, tem um mundo gritando o tempo inteiro o que devemos ser. Meu Deus! As redes sociais nos empurram uma estética de felicidade permanente, com vida impecável, um corpo impecável, relação impecável, sucesso impecável. E as perguntas que vão me corroendo por dentro: “Será que eu preciso parecer rica?”
“Será que eu preciso parecer feliz?”
“Será que eu preciso mostrar uma vida perfeita pra confundir o inimigo?”
Será? Será? Será?
Enquanto isso, os verdadeiros ouros da vida seguem invisíveis: paz, caráter, honestidade, afeto e presença!!!
Como jornalista, eu confesso que tenho me assustado com o descomprometimento da comunicação. Porque hoje, a superficialidade virou estratégia, a irresponsabilidade virou entretenimento e o impacto deixou de importar.
Vi recentemente toda a repercussão envolvendo Tino Marcos, colega de profissão, que apareceu dizendo estar desempregado após sair da TV Globo, quando tudo fazia parte de uma ação publicitária! Isso me fez pensar o quanto estamos normalizando narrativas que brincam com a emoção das pessoas em troca de alcance.
Talvez, o que mais me entristeça seja ver influencers ganhando espaço, dinheiro e relevância sem qualquer responsabilidade com o que comunicam: sem cuidado, sem profundidade e principalmente, sem compromisso.
Vivi isso num evento no restaurante de um amigo querido, o Harry Pisek. Me impressionou ver criadores de conteúdo sequer preocupados em aprender o nome correto do anfitrião. Cada um pronunciava de um jeito: Harry, Harris, Ravels, Pissek!!! E ninguém parecia se importar em perguntar, confirmar ou demonstrar o mínimo cuidado.
Parece pequeno, mas não é. Comunicação também é respeito. É o básico que muitos esqueceram no caminho da pressa por “likes”. Ou ainda: não sabem os princípios de um bom comunicador! Isso é mais triste ainda!
No meio dessa avalanche de aparências, cobranças e ruídos, eu só queria lembrar você de uma coisa: respire fundo. Nem tudo está perdido.
Ainda existem pessoas verdadeiras, relações honestas, mulheres incríveis tentando sobreviver sem deixar a própria essência morrer. E ainda existem flores no meio do caminho: mesmo quando a vida insiste em nos mostrar espinhos primeiro.
Com carinho, até a próxima!
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


