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Novo capítulo da desapropriação da Caoa Chery amplia impasse em Jacareí

Prefeitura mantém trâmites para retomar a área, enquanto sindicato faz novas reivindicações sobre o futuro da unidade.

REDAÇÃO BAND VALE
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29/07/2026 • 07:24 • Atualizado em 29/07/2026 • 07:24

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região pediu a interrupção do processo de desapropriação da fábrica da Caoa Chery, em Jacareí, e passou a pressionar a Prefeitura por uma solução que, segundo a entidade, faça justiça aos trabalhadores demitidos após o fechamento da unidade.

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A planta industrial está paralisada desde 2022, quando a montadora encerrou as atividades e demitiu 489 funcionários. Na época, um acordo previa a retomada da produção em 2025, com foco na fabricação de veículos elétricos. No entanto, o compromisso não foi cumprido e a fábrica segue sem operação, mantendo atualmente cerca de 30 funcionários apenas para serviços básicos de manutenção.

Diante da falta de um plano concreto para reativação da unidade, a Prefeitura de Jacareí anunciou que dará continuidade aos trâmites administrativos para decretar a desapropriação da área.

Segundo o município, o primeiro pedido formal de esclarecimentos foi enviado à empresa em junho de 2025. A resposta apresentada foi considerada insuficiente e, posteriormente, a administração notificou a montadora sobre a possibilidade de desapropriação ou reversão da doação do terreno. A pedido da própria empresa, o prazo para apresentação de um plano foi prorrogado por 12 meses e terminou em 20 de julho deste ano, sem que houvesse uma proposta de retomada da produção.

A Prefeitura afirma que a medida busca garantir que o imóvel cumpra sua função socioeconômica, mas ressalta que permanece aberta a analisar propostas concretas para reativação da fábrica.

O que reivindica o sindicato

O Sindicato dos Metalúrgicos, porém, defende que o imóvel seja retomado sem pagamento de indenização à Caoa Chery. Para a entidade, a montadora possui uma "dívida social e histórica" com a região, já que recebeu terreno público e incentivos fiscais para instalar a fábrica em 2014.

Na avaliação do sindicato, uma eventual indenização financeira à empresa seria injusta diante das demissões ocorridas e do descumprimento do acordo de retomada da produção.

Além da interrupção do atual processo de desapropriação, a entidade reivindica:

  • pagamento de salários e direitos dos ex-funcionários até a aposentadoria, em caso de desapropriação;
  • devolução integral dos recursos públicos recebidos pela empresa;
  • destinação da área para a criação de uma montadora estatal voltada à fabricação de um automóvel totalmente nacional.

O sindicato informou ainda que vem realizando reuniões e notificando a empresa desde 2024 para cobrar o cumprimento do compromisso de produzir veículos elétricos na unidade de Jacareí.

Economia de Jacareí registra crescimento

Apesar do impacto provocado pelo fechamento da fábrica, a Prefeitura afirma que o município apresenta indicadores positivos na geração de novos negócios.

De acordo com a administração municipal, entre janeiro e junho de 2026 foram abertas 4.592 empresas em Jacareí, crescimento de 17,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

A maior parte dos novos empreendimentos é formada por microempreendedores individuais (MEIs), que representam 82,8% das empresas abertas no período. O município também destaca a chegada de companhias dos setores de tecnologia e serviços, como a Speedbird, especializada em drones, além de novos empreendimentos na área gastronômica.

Segundo a Prefeitura, o resultado é atribuído a programas de desburocratização, como o Facilita SP, que garantiram ao município o Selo Prata e o Selo Inovação pelo projeto Portal de Negócios Jacareí.

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