
O que ninguém vê: dor, recomeços e o poder de tocar o outro
WhatsApp da Thais Dantas
Falar sobre violência doméstica e feminicídio no Brasil é, infelizmente, falar de uma rotina. Está nos jornais todos os dias, nas estatísticas, nas histórias interrompidas e também nas histórias que continuam… mesmo feridas.
Mas existe uma parte dessa realidade que quase nunca aparece: o depois. O depois da violência, do abuso psicológico, das ameaças silenciosas, das perdas que não são só materiais, mas emocionais, familiares, estruturais.
Eu sei exatamente como é esse depois. Sei o que é viver com medo, com angústia e com a sensação de que a justiça nem sempre alcança a verdade.
Sei o que é tentar seguir em frente carregando marcas que ninguém vê mas que impactam todos os dias. Ao mesmo tempo existe algo que também cresce nesse cenário: a reconstrução.
Mesmo em meio ao caos, eu fui encontrando novas formas de me conectar com pessoas, com propósito, com a minha essência e principalmente com Deus!
Mas algo que me fez dar ainda mais sentido para a vida e algo que nunca foi e jamais será quebrado: o amor pelos meus filhos.
Rafael e Giovana são o meu ponto de recomeço diário. São eles que me lembram que, apesar de tudo, ainda existe verdade, afeto e sentido.
Hoje, no meu aniversário de 46 anos, a gente combinou algo simples, mas profundamente simbólico: tomar café da manhã juntos, todos os dias!!!
Um pedido do meu filho. Um gesto pequeno, mas que carrega tudo aquilo que, muitas vezes, a vida tenta tirar: o laço verdadeiro de família.
E foi nesse mesmo dia, carregado de significados, que eu recebi uma mensagem. Uma mensagem que me fez parar. Uma mulher, quase da minha idade que em um dia normal de Bora Vale, veio até a Band participar de um quadro e me escreveu contando que, depois de me encontrar em uma gravação e ouvir sobre o No Ritmo Delas, algo mudou dentro dela.
Ela também estava em um momento difícil: não se reconhecia, não queria se ver, mas decidiu começar. No ritmo dela.
Em poucos meses, ela transformou a própria vida: perdeu peso, e ganhou algo muito maior: autoestima, presença, coragem. E no final da mensagem, ela escreveu: “Você foi responsável por isso. Muito obrigada.”
É aqui que eu preciso dizer uma coisa importante. Não fui eu. Foi ela.
Assim como não é sobre mim quando eu me reconstruo: é sobre a força que a gente encontra quando decide não permanecer no lugar da dor.
O que a gente faz, às vezes, é só acender uma luz. Mas quem escolhe sair do escuro… é cada uma de nós. Essa é a parte que não aparece nos noticiários.
A mulher que sofre, mas que também reage; que sente medo, mas segue mesmo assim.
Que perde, mas que se reconstrói. Que cai, mas, no seu tempo, no seu ritmo… levanta.
Essa é a vida real. E hoje, aos 46 anos, eu posso dizer com segurança: a dor pode até fazer parte da história: mas ela não define o final!
E pra você que chegou até aqui, eu quero te deixar um recado: de mulher pra mulher e de coração aberto:
Não importa o tamanho da dor que você esteja vivendo hoje… nem o quanto você acha que se perdeu de si mesma. Existe um caminho de volta. Sempre existe.
Talvez ele não seja rápido e nem seja fácil. Mas ele começa no momento em que você decide olhar pra si com mais carinho, com mais respeito, com mais amor.
Você não é a sua dor, não é o que fizeram com você. Você é tudo aquilo que ainda pode construir a partir daqui.
Se hoje estiver difícil, vá no seu ritmo e não pare. Se estiver cansada, descanse… mas não desista de você.
A sua história ainda está sendo escrita.
E ela pode, e merece ser uma história de força, de recomeço, de amor próprio e de amor verdadeiro.
Você não está sozinha.
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