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Dados e Inteligência Artificial como caminho para a regeneração da sociedade

Por Fabiano Porto (@fabiano.pporto)

Por Redação
REDAÇÃO

29/08/2025 • 09:00 • Atualizado em 29/08/2025 • 09:00

Sustentabilidade e Regeneração - com Fabiano Porto

Vivemos em um tempo em que os dados se multiplicam em velocidade nunca antes vista. Satélites, sensores, registros públicos e fluxos digitais produzem diariamente um volume de informações capaz de redesenhar os rumos de cidades, empresas e governos. Nesse contexto, a Inteligência Artificial aparece como aliada essencial, pois o desafio já não é apenas ter acesso a dados, mas transformar essa abundância em conhecimento integrado, confiável e estratégico.

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Hoje, muitas decisões já são tomadas com base em relatórios técnicos. Porém, esses relatórios, em geral, são fragmentados, restritos a uma área ou disciplina, sem considerar o potencial de integração de todas as informações disponíveis. No mundo atual, decidir sem essa visão sistêmica é como tentar prever uma tempestade olhando apenas para o céu de uma cidade, ignorando os ventos e pressões atmosféricas de toda a região.

A crise climática amplia ainda mais essa urgência. Fenômenos como enchentes, secas, ondas de calor ou frio extremo e incêndios florestais já não seguem padrões históricos. O IPCC alerta que cada décimo de grau a mais na temperatura global aumenta o risco de eventos extremos com impactos severos para populações e ecossistemas. Se quisermos nos adaptar e prevenir desastres, precisamos usar todo o poder da inteligência de dados para compreender antecipadamente esses movimentos da natureza.

E exemplos já mostram o potencial dessa transformação. A ONU registrou que cidades que utilizam sistemas de monitoramento em tempo real conseguem reduzir custos operacionais em até 30% e aumentar em mais de 20% a eficiência de serviços como saúde, mobilidade e segurança. Plataformas de análise territorial permitem identificar áreas de risco para deslizamentos e enchentes antes que o problema aconteça. No setor agrícola, sistemas baseados em dados climáticos e sensores de solo já ajudam produtores a prever secas, otimizar irrigação e reduzir desperdícios de água. E no setor energético, sistemas digitais evitam sobrecargas, reduzem perdas e aumentam a integração de fontes renováveis.

Essas iniciativas mostram que inteligência de dados é mais do que tecnologia de apoio. É uma ferramenta fundamental para mitigar riscos, prevenir impactos e fortalecer a resiliência de sociedades inteiras. Mais do que gerar eficiência, ela abre caminho para decisões que consideram a regeneração ambiental e social como prioridade.

Decidir bem, hoje, é um ato de responsabilidade. Não se trata de abandonar a visão humana, mas de ampliá-la com a clareza que só os dados integrados podem oferecer. Estamos construindo uma nova possibilidade, um recurso que já está disponível e ficará cada vez mais acessível para gestores públicos, líderes empresariais e organizações de todos os setores. Se soubermos usá-lo de forma consciente, teremos em nossas mãos uma oportunidade concreta de superar os desafios das mudanças climáticas e dar início a uma sociedade regenerativa.

Fontes de pesquisa

ONU-Habitat (2021) – World Cities Report: https://unhabitat.org/wcr/

PwC (2020) – Global Data and Analytics Survey: https://www.pwc.com/gx/en/industries/data-analytics/publications/global-data-and-analytics-survey.html

IPCC (2021-2023) – Sixth Assessment Report: https://www.ipcc.ch/

Veja outras matérias da coluna SUSTENTABILIDADE E REGENERAÇÃO no link: http://www.band.com.br/band-vale/colunistas/sustentabilidade-regeneracao

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