A empresa brasileira de engenharia aeroespacial Akaer anunciou nesta quinta-feira (16) a venda de 100% de suas operações para o grupo EDGE, conglomerado de tecnologia avançada e defesa dos Emirados Árabes Unidos. O acordo ainda depende de aprovações regulatórias, mas marca um dos maiores investimentos estrangeiros recentes no setor aeroespacial brasileiro.
Segundo as empresas, a Akaer continuará operando a partir de sua sede no Parque de Inovação Tecnológica (PIT), em São José dos Campos. A estrutura de governança, os mais de 500 colaboradores, o relacionamento com clientes e a condição de Empresa Estratégica de Defesa (EED) serão mantidos.
Com a aquisição, o grupo EDGE pretende transformar a unidade brasileira em um centro de excelência em engenharia para o desenvolvimento de projetos nas áreas de veículos aéreos não tripulados (UAVs), sistemas eletro-ópticos, tecnologias espaciais, baterias e plataformas militares e comerciais.
A EDGE, sediada em Abu Dhabi e controlada pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, registrou receita de cerca de US$ 5 bilhões e possui uma carteira de pedidos estimada em US$ 20 bilhões. Durante o anúncio, representantes da companhia classificaram a união com a Akaer como uma parceria estratégica voltada ao fortalecimento da inovação e da pesquisa em tecnologias de defesa.
Referência no setor aeroespacial
Com mais de 30 anos de atuação e mais de 10 milhões de horas de engenharia acumuladas, a Akaer participou do desenvolvimento de alguns dos principais programas da indústria aeroespacial brasileira e internacional, entre eles o caça Gripen NG, o cargueiro KC-390 Millennium, o Super Tucano e aeronaves das famílias E-Jets e Legacy, da Embraer.
Estabilidade para a empresa
A venda ocorre em um momento de reestruturação da Akaer. Nos últimos meses, a empresa enfrentou dificuldades financeiras, que chegaram a provocar atrasos salariais e o cancelamento, pela Finep, de um contrato de R$ 180 milhões destinado ao desenvolvimento do veículo lançador espacial Montenegro MKL.
Com a entrada da EDGE, os salários dos funcionários foram regularizados e a expectativa é de maior estabilidade financeira, preservação dos empregos e ampliação das oportunidades de crescimento da empresa no mercado internacional.
Para a Prefeitura de São José dos Campos, a operação reforça o protagonismo da cidade como um dos principais polos aeroespaciais do mundo, fortalece a cadeia produtiva local e deve estimular novos investimentos em tecnologia, inovação e geração de empregos qualificados.
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